Denúncia sobre sumiço de madeiras do Rio São João reacende polêmica e expõe disputa política

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Uma nova denúncia vem agitando os bastidores políticos de Itaúna. Intitulada “Operação Castor”, pelo próprio denunciante, a acusação traz à tona um possível esquema de desvio de madeiras suprimidas das margens do Rio São João, retiradas durante o processo de desassoreamento do curso d’água, em agosto de 2022. As madeiras, segundo relatos, foram recolhidas e armazenadas na Secretaria de Infraestrutura, mas acabaram extraviadas e/ou utilizadas para a fabricação de móveis, como mesas, bancos e cadeiras. 

Informações apuradas pela reportagem do Jornal S’Passo indicam que possivelmente servidores públicos teriam usado o material nobre — madeira de lei — para confeccionar os móveis, que supostamente teriam sido vendidos ou encaminhados para sítios da região.

A denúncia foi divulgada nas redes sociais pelo vereador Kaio Honório (PMN), que também deu nome à operação, numa tentativa de fazer “viralizar” as informações. O parlamentar diz que está apurando as denúncias que recebeu e pede investigação por parte das autoridades sobre o destino das madeiras e a eventual participação de agentes públicos no caso. 

A revelação, no entanto, também reacende uma antiga polêmica: o corte das árvores às margens do Rio São João, em 2022, que gerou repercussão e protestos da população. À época, os cortes motivaram a convocação dos secretários municipais de Infraestrutura, Rosse Andrade, e de Regulação Urbana, Thiago Moreira Araújo, para prestarem esclarecimentos na Câmara. 

Durante a sessão, Rosse Andrade e o gerente de Meio Ambiente Marcelo Augusto Nogueira justificaram os cortes afirmando que as árvores haviam sido plantadas de forma irregular e que suas raízes comprometiam o leito do rio, além de impedirem o acesso das máquinas de limpeza e o desassoreamento, necessário para evitar novas inundações. Segundo eles, novas espécies seriam plantadas na segunda fase das obras. 

Os vereadores questionaram a necessidade da remoção das árvores, mas, ao final, a maioria reconheceu a importância da limpeza do rio para evitar alagamentos que estavam castigando as áreas próximas às margens do rio.

Retranca 

Vereador pode ser convocado para prestar esclarecimentos 

Esta semana, depois da divulgação da denúncia do vereador Kaio Honório, uma outra informação chegou ao Jornal S´Passo: de que o parlamentar estaria fazendo uma “cortina de fumaça” para as denúncias vieram à tona envolvendo o seu gabinete com a compra milionária de medicamentos, através de emenda parlamentar do deputado federal Maurício do Vôlei (PL). 

A aquisição, que somou cerca de R$ 1 milhão, foi feita com verba destinada pelo deputado, a pedido de Kaio, sob o argumento de que os medicamentos seriam destinados a instituições filantrópicas da cidade. O problema é que, segundo denúncias, os preços pagos teriam superado em até 150% o valor de mercado, levantando suspeitas de superfaturamento e direcionamento da compra a uma empresa específica. 

Os medicamentos foram doados por meio de projeto de lei aprovado pela Câmara para a Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza, que recebeu produtos avaliados em R$ 929.954,17; o CRASI que recebeu medicamentos avaliados em R$ 4.045,68, e a Fundação Frederico Ozanan, que recebeu R$ 36.279,25 em medicamentos.