Ex-vereador acusa Câmara de “omissão” ao aprovar novo contrato do transporte coletivo

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O ex-vereador Geraldino de Souza Filho, conhecido como Mirinho, voltou a ocupar a tribuna da Câmara para criticar duramente os vereadores pela condução e aprovação do contrato e do subsídio para a empresa Pedra Negra, que irá assumir o transporte coletivo da cidade em novembro.  

Segundo ele, o Legislativo não analisou os valores do novo contrato, equivalente à R$54 milhões e tampouco se propuseram a realizar uma pesquisa da nova empresa, que registrou o CNPJ há poucos meses. Mirinho também atribuiu aos parlamentares a falta de posicionamento contra o ex-prefeito Neider Moreira, que ao apagar das luzes, firmou acordo na justiça com a Viasul. “Os vereadores são sim os grandes responsáveis pela definição da justiça que ordena o pagamento de R$ 18 milhões à empresa e, no final das contas, a população é quem vai arcar com esse custo”, critica. 

“Eu usei essa tribuna há alguns dias e manifestei sobre a solução que arrumaram para o transporte coletivo. No nosso entendimento, não foi a melhor solução, porque não se tratou como política pública. Aqui os vereadores agiram com a ‘lei do menor esforço’ e não aprofundaram a discussão. Por isso, hoje a população vai pagar mais R$ 18 milhões.” 

O ex-vereador também criticou a falta de transparência no debate sobre a planilha de custos do transporte coletivo. “Eu já estive nessa Casa como vereador, fui da Comissão de Finanças e Orçamento, e pedi um parecer sobre a planilha de custos. O que fizeram foi simplesmente aceitar os dados repassados pela própria empresa. Essa foi a mesma postura agora: ninguém questionou de fato o valor da passagem. Essa omissão resultou na decisão judicial que obrigou o município a pagar o subsídio.” 

Em tom de cobrança, Mirinho reforçou que o Legislativo falhou em fiscalizar o Executivo e destacou que a conta, mais uma vez, recairá sobre a população. “Essa Casa tinha a obrigação de questionar a fundo, mas preferiu não enfrentar o problema. Hoje, a população está pagando caro, e amanhã essa empresa pode pedir ainda mais subsídios. Isso não vai ter fim, a menos que o governo federal consiga implantar o transporte coletivo gratuito em todo o país.” 

Vereadores rebatem acusações

Após as declarações, vereadores rebateram os argumentos de Mirinho. Gustavo Barbosa afirmou que a Câmara não aprovou o subsídio de R$ 18 milhões, como alegou o ex-vereador. Segundo ele, Mirinho agiu com “populismo” ao responsabilizar os parlamentares. 

O vereador Leonardo Alves dos Santos ressaltou que a situação do transporte coletivo já está sendo tratada e que houve avanços. “O valor da tarifa foi reduzido e o atual prefeito já anunciou que vai estudar a possibilidade de oferecer transporte coletivo gratuito”, disse. 

Já o presidente da Câmara, Antônio de Miranda, lembrou que a Câmara votou contra o subsídio de R$ 18 milhões à Via Sul, que havia sido proposto pelo ex-prefeito no fim do mandato anterior.