“Gangue dos cabos”: ação de criminosos cresce e deixa população sem água e sem energia elétrica

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A onda de furtos de cabos elétricos e de energia em Itaúna voltou a crescer nas últimas semanas, reacendendo a indignação de moradores e autoridades locais. O mais recente episódio ocorreu no início desta semana, quando criminosos furtaram cabos do reservatório do SAAE no Parque Jardim Santanense, deixando milhares de residências da região Oeste da cidade sem água. A ação criminosa danificou o sistema de controle do reservatório e comprometeu o abastecimento de bairros inteiros, como São Bento, Godofredo Gonçalves, Alphaville, Vale dos Ipês, Itaunense, Lopes e Campos. 

O crime — o segundo em pouco mais de dois meses no mesmo local — demonstra a ousadia e a reincidência de um grupo que moradores e autoridades já chamam de “gangue dos cabos”, responsável por uma série de furtos semelhantes registrados em diversos bairros do município. 

A atuação dos criminosos não se restringe às estruturas do SAAE. No bairro Veredas, toda a fiação e luminárias foram furtadas. No loteamento Monte Carlo, o sistema elétrico do reservatório foi completamente levado. Já no Morada Nova, as ocorrências se repetiram duas vezes consecutivas, demonstrando a fragilidade da segurança pública diante da escalada desses crimes. 

Na área urbana, os furtos também têm atingido comércios e condomínios. Na Rua Osório Santos, no bairro Nogueira Machado, o furto de fios em uma caixa de passagem paralisou as atividades de várias empresas e até de uma instituição de ensino. A Polícia Militar registrou o boletim de ocorrência, mas o caso segue sob investigação da Polícia Civil. 

Outro episódio recente ocorreu no Edifício Esthefânia, na Rua Santana. Por volta das 3h50 da madrugada, moradores flagraram dois indivíduos retirando cabos da caixa de energia. Mesmo alertados e percebidos, os criminosos agiram com tranquilidade e fugiram de bicicleta, antes da chegada da polícia. 

“Eles pareciam não se intimidar. Gritamos da janela, mas continuaram normalmente, como se já soubessem que não seriam pegos”, relatou um morador. 

Vereadores cobram providências e denunciam esquema de receptação 

A gravidade da situação motivou debates acalorados na Câmara e segundo o vereador Gustavo Barbosa (Republicanos)  “a segurança pública de Itaúna pede socorro, pois o número de furtos de cabos tem crescido assustadoramente. Isso mostra que há algo errado e que precisamos agir rápido”, declarou o parlamentar. 

Como proposta, Gustavo informou que está elaborando um projeto de lei para proibir a compra e venda de cabos queimados, uma prática comum entre receptadores de materiais furtados. 

“Os criminosos queimam os cabos justamente para apagar os códigos de identificação das empresas. Assim, fica quase impossível rastrear a origem do material. E isso é um absurdo. Se há tantos furtos, é porque tem alguém comprando”, completou o vereador, insinuando que parte desses receptadores pode estar ligada à chamada gangue dos cabos

Reflexos na rotina da cidade 

O SAAE relatou que, além dos prejuízos materiais, o maior impacto é vivido pela população. O reservatório do Santanense, com capacidade de 1,4 milhão de litros, levou cerca de cinco dias para retomar o abastecimento normal. A autarquia destacou que o valor financeiro do material furtado é pequeno, mas o transtorno gerado para milhares de consumidores é imenso. 

Os problemas também sobram para a CEMIG e a Prefeitura, que têm que recompor todas as fiações de energia que são subtraídas para não interromperem o fornecimento de energia e nem deixarem os equipamentos públicos no escuro. 

Enquanto isso, nas redes sociais, cresce o sentimento de insegurança e revolta. Moradores cobram ações conjuntas entre Polícia Militar, Polícia Civil e Prefeitura, incluindo melhor iluminação pública, câmeras de vigilância e fiscalização em ferros-velhos. 

“Isso só traz prejuízo para todo mundo. A gente fica no escuro, tem risco de acidente e parece que são sempre os mesmos. Dá pra ver que tem um esquema por trás disso, não é coisa isolada”, comentou um morador do bairro Nogueira Machado. 

Denúncias podem ajudar 

As autoridades reforçam o pedido para que a população denuncie qualquer movimentação suspeita ou comércio irregular de fios e cabos, especialmente os queimados, que costumam ser resultado de furtos. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo número 190, garantindo o sigilo do denunciante.