Golpes. Sejam eles virtuais, através de falsos agentes de saúde, de falsos comprovantes de Pix/transferência, de phishing, ou roubo de dados, perfis falsos etc, têm sido comuns nos dias atuais. E esta semana, com lançamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) de 2026, cuja escala de vencimentos tem início em 9/2, o governo anunciou a entrada da Ouvidoria-Geral do Estado e do Departamento Estadual de Trânsito na força-tarefa, que já contava com a Secretaria de Estado de Fazenda, a Polícia Civil e o Ministério Público de Minas Gerais, para orientar a população contra os golpes envolvendo o imposto.
O estado tem registrado um crescimento expressivo nos crimes de estelionato, com médias que se aproximam de 500 ocorrências por dia, sendo cerca de 100 apenas em Belo Horizonte. Em Itaúna, o cenário também é alarmante. Somente neste início de ano, diversos casos foram relatados por moradores à Polícia Civil e também expostos nas redes sociais, evidenciando que a cidade entrou de vez no radar dos golpistas. Os crimes mais recentes têm como marca principal o uso da engenharia social — técnica de manipulação psicológica — aliada a recursos de inteligência artificial, o que torna as fraudes cada vez mais sofisticadas e difíceis de identificar.
Os casos ocorridos na cidade vêm preocupando internautas, que ocuparam as redes sociais nesta semana para emitir alertas aos amigos e familiares. Um dos golpes mais recorrentes em Itaúna neste começo de ano é justamente o do falso IPVA. Criminosos enviam mensagens por WhatsApp, SMS ou e-mail com links que direcionam para páginas falsas muito semelhantes às do governo de Minas. Nessas mensagens, prometem descontos ou facilidades para pagamento do imposto. Ao clicar no link, a vítima é levada a emitir boletos adulterados ou realizar pagamentos via Pix para contas de terceiros. O prejuízo só é percebido quando o contribuinte descobre que o imposto continua em aberto.
Outro golpe que também fez vítimas em Itaúna é o do falso advogado ou falso escritório de advocacia. Nessa modalidade, os criminosos utilizam fotos reais de advogados, nomes verdadeiros e até logomarcas de escritórios conhecidos. O contato geralmente ocorre por WhatsApp. O golpista informa que a vítima ganhou uma ação judicial ou teria valores a receber, mas que, para a liberação do dinheiro, seria necessário o pagamento antecipado de supostas custas processuais ou taxas administrativas via Pix. Convencidas pela aparência de legitimidade da conversa, muitas pessoas acabam realizando a transferência e só depois percebem que se tratava de uma fraude.
Também têm sido frequentes os relatos envolvendo a falsa conta de luz. Golpistas enviam boletos muito parecidos com os da Cemig, replicando layout, valores, códigos e até informações do cliente. Em muitos casos, o boleto vem acompanhado de QR Code para pagamento via Pix, induzindo o consumidor a quitar rapidamente a suposta dívida para evitar o corte no fornecimento de energia.
Os golpes financeiros que utilizam inteligência artificial também começam a aparecer com mais frequência. Em Minas Gerais, já há registros do uso de deepfake para simular áudios ou até chamadas de vídeo de parentes, criando falsas situações de emergência, como pedidos urgentes de dinheiro ou supostos sequestros. Em paralelo, plataformas falsas de investimento prometendo retornos diários irreais também causaram prejuízos de milhares de reais em cidades mineiras, como Matozinhos, e levantam o alerta para que o mesmo tipo de esquema possa se espalhar.
Outro método bastante utilizado é o das falsas centrais de atendimento. O criminoso liga para a vítima se passando por funcionário do banco e informa sobre uma transação suspeita ou tentativa de fraude na conta. Em tom alarmista, orienta a pessoa a realizar transferências ou Pix para uma suposta conta de segurança, que na verdade pertence ao golpista. A pressão psicológica e o senso de urgência fazem com que muitas vítimas ajam sem confirmar a veracidade da informação.
Nota da Polícia Civil
A Polícia Civil de Minas Gerais alerta a população para o aumento de golpes praticados por meio digital e telefônico. Para evitar ser vítima, desconfie sempre de situações que envolvam urgência ou pressão para pagamento imediato. Golpistas utilizam o medo e a pressa como estratégia para impedir que a vítima pense ou verifique a informação.
Antes de realizar qualquer pagamento via Pix, confira atentamente o nome e o CPF ou CNPJ do favorecido. Em cobranças de órgãos públicos ou concessionárias, o recebedor deve ser a instituição oficial. Nunca clique em links enviados por SMS, WhatsApp ou e-mails suspeitos. Prefira acessar diretamente os sites oficiais de bancos, empresas ou do Governo de Minas Gerais.
No caso de contas de energia, verifique o CNPJ da empresa, o código do cliente e o banco beneficiário antes de efetuar o pagamento. Se receber boletos por meios não convencionais, desconfie. Em qualquer situação de suspeita ou se já tiver sido vítima de golpe, registre imediatamente um Boletim de Ocorrência. A denúncia é fundamental para a investigação e para evitar que outras pessoas sejam prejudicadas.







