Hospital Manoel Gonçalves é alvo de críticas pela falta de assistência social a acompanhantes 

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A ausência de atendimento humanizado aos acompanhantes de pacientes no Hospital Manoel Gonçalves voltou a gerar indignação entre usuários do sistema de saúde de Itaúna. Relatos recentes indicam falhas na atuação da assistência social dentro da instituição, especialmente nos momentos mais delicados para as famílias. 

Um morador, que acompanhou a esposa durante dois dias dentro do hospital até sua transferência para o CTI, afirmou que não recebeu, em nenhum momento, orientação ou acolhimento da equipe de assistência social. Segundo ele, “ninguém apareceu para orientar, conversar ou sequer perguntar se eu precisava de algo. A sensação é de abandono total num momento em que a gente mais precisa de apoio, ética e empatia”, relatou. 

Os problemas, segundo acompanhantes, se agravam justamente nos horários mais críticos — por volta das 11h e das 16h30, quando os familiares aguardam informações sobre o estado de saúde de seus entes queridos. Em muitos casos, afirmam que não há assistentes sociais disponíveis nem sequer para prestar informações básicas. “Se o serviço não funciona adequadamente durante a semana, o que esperar dos fins de semana, quando a estrutura é ainda mais limitada?”, criticou outro usuário. 

O contraste com municípios vizinhos amplia a insatisfação. Um morador que acompanhou a mãe internada na Santa Casa de Oliveira — cidade de porte menor que Itaúna — descreveu uma experiência totalmente diferente, marcada por cuidado real e humanização.  

“Quando minha mãe esteve internada na Santa Casa de Oliveira, pude contar com psicólogo, assistente social presente e um abrigo municipal para acompanhantes. Eles me ofereceram comida, banho, cama confortável e espaço de descanso. Isso sim é respeito com quem está fragilizado”, afirmou. Ele acrescenta ainda um ponto doloroso, que reforça o abismo entre os dois atendimentos: 
“Quando minha mãe estava no CTI recebi total apoio, e quando ela faleceu tive um amparo para amenizar o sofrimento. Aqui, se morrer, não tem ninguém, nenhum amparo, tampouco acompanhamento.” A fala resume a revolta de quem já vivenciou duas realidades completamente distintas dentro da mesma rede regional de saúde. 

Vereador diz que “mães grávidas estão com medo de ganhar bebês no hospital”

A situação expõe uma contradição frequente: embora se fale muito em humanização no atendimento hospitalar, na prática isso ainda está longe de ocorrer no Hospital Manoel Gonçalves. De acordo com pacientes ouvidos pelo Jornal S’Passo, “humanizar não é apenas oferecer atendimento médico; é acolher, orientar e amparar emocionalmente quem sofre ao lado do paciente.  

A situação da Casa de Caridade de Itaúna se agravou ainda mais nesta semana. O Hospital Manoel Gonçalves foi novamente denunciado ao Ministério Público, à Polícia Civil e ao Conselho Regional de Medicina pelo vereador Kaio Honório (PMN), após a morte de uma criança na maternidade. Pelas redes sociais, o parlamentar afirmou que este já é o terceiro caso semelhante, citando também as mortes dos recém-nascidos Katarina e Oliver, que não resistiram após o parto. 

Esta é a segunda vez que denúncias formais são protocoladas junto aos órgãos de fiscalização. “Até quando vamos continuar recebendo relatos de possível imperícia ou imprudência médica no Hospital?”, questionou o vereador em um vídeo gravado em frente à unidade de saúde. 

Ainda pelas redes sociais, Kaio informou que soube da abertura de uma sindicância interna para apurar os fatos. No mesmo dia, protocolou na administração do hospital um convite para que representantes da instituição participem da reunião da Câmara. Já na terça-feira, o vereador demonstrou indignação, afirmando que a direção do Hospital não respondeu ao convite e não compareceu ao Legislativo para prestar esclarecimentos. “Nós enviamos recursos para o Hospital e merecemos ao menos respostas. Não podemos continuar admitindo isso”, disse ele em outro vídeo. 

Em busca de holofote

Apesar da gravidade dos episódios, a postura do parlamentar tem sido alvo de críticas dentro da própria Câmara. Alguns vereadores afirmam que Kaio estaria “inflamando um tema sensível em busca de engajamento nas redes sociais”. 

“Estamos acompanhando de perto a situação, e as respostas virão após a conclusão da sindicância. O que não podemos é subir em cima de caixão de recém-nascidos para fazer política com a dor alheia. É lamentável assistir a essa cena”, declarou um vereador à reportagem.