Hospital pode mudar de gestão e Conselho Curador avalia parceria com rede hospitalar

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Em novo encontro esta semana, o Conselho Curador da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira voltou a discutir o futuro administrativo e financeiro da instituição. A reunião confirmou a permanência de Antônio Guerra na provedoria por mais um ano e ampliou a composição do colegiado com a entrada de dois novos conselheiros, aprovados por unanimidade. 

Passam a integrar o Conselho o vereador Alexandre Campos, reconhecido pela articulação de recursos destinados ao hospital — entre eles R$ 2 milhões viabilizados junto ao senador Rodrigo Pacheco — e Neném Otoni, de Itatiaiuçu, que recentemente colaborou com a doação de um equipamento para conservação de bolsas de sangue, avaliado em cerca de R$ 40 mil. O aparelho anterior havia sido danificado após problemas elétricos provocados por furto de cabos. Neném também está à frente do Instituto INPAR, entidade voltada à área da saúde e responsável por uma Casa de Apoio destinada a pacientes da região atendidos no hospital. 

Além das mudanças no Conselho, a reunião tratou de ajustes internos. O vice-provedor, Eduardo Mourão, que se encontra com idade avançada, solicitou afastamento por questões de saúde e deverá ser substituído. Outros integrantes poderão ter a situação reavaliada por excesso de ausências, conforme as regras estatutárias. 

Parceria em estudo 

O ponto central do encontro, no entanto, foi a análise de alternativas para garantir maior estabilidade financeira à instituição. Diante das limitações orçamentárias e das dificuldades burocráticas que impactam o repasse de verbas públicas, voltou à pauta a possibilidade de transferência da gestão hospitalar para uma organização com experiência consolidada na área da saúde. 

Entre as instituições avaliadas está a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC). De origem polonesa, a congregação atua no Brasil nas áreas de saúde e educação e possui trajetória centenária no país. Por meio da Rede Santa Catarina, a Associação administra hospitais em diversos estados, acumulando larga experiência em gestão hospitalar. 

Levantamentos apresentados ao Conselho indicam que as unidades vinculadas à rede somam entre 120 mil e 130 mil internações por ano, sendo aproximadamente 65% dos atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde. A estrutura contempla hospitais de médio e grande porte em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, atendendo centenas de milhares de pacientes anualmente. 

Entre as unidades administradas estão o Hospital Santa Catarina, em São Paulo; a Casa de Saúde São José e o Hospital São José, no Rio de Janeiro; o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Três Rios (RJ); o Hospital Madre Regina Protmann, em Santa Teresa (ES); o Hospital Santa Isabel, em Blumenau (SC); o Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão (SC); o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis (RJ); o Hospital Estadual de Francisco Morato (SP); e o Hospital Regina, em Novo Hamburgo (RS). 

A avaliação interna é de que uma parceria com uma rede desse porte poderia proporcionar profissionalização administrativa, ampliação de receitas e maior autonomia financeira, reduzindo a dependência exclusiva de repasses públicos. 

Caso não haja avanço nas tratativas com a congregação, outra alternativa considerada é a retomada das conversas com a Usiminas. O diálogo com a empresa teve início em gestões anteriores e voltou a ser mencionado como possível caminho para fortalecer o hospital por meio de um modelo de cooperação institucional. 

As discussões seguem em fase preliminar, e qualquer decisão dependerá de novos estudos técnicos e da deliberação formal do Conselho. A prioridade, segundo os conselheiros, é assegurar sustentabilidade financeira sem comprometer o atendimento à população.