Jovem atropelada enfrenta risco de amputação após Estado suspender tratamento mesmo com decisão judicial 

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Uma adolescente de 15 anos, moradora de Itaúna, enfrenta o risco de amputação do pé após o Governo de Minas Gerais interromper o custeio de um tratamento já garantido por decisão judicial. A denúncia é da mãe da jovem, Tatiana, que tornou pública a situação da filha, Emanuele Vitória, e cobra providências urgentes das autoridades estaduais. 

O acidente ocorreu no dia 3 de outubro do ano passado, na saída da escola. Segundo a mãe, a adolescente foi atropelada e teve o pé esmagado por um caminhão. 

Inicialmente, Emanuele foi encaminhada ao Hospital Manoel Gonçalves, onde permaneceu internada aguardando transferência. “Ela ficou internada sete dias aguardando transferência. No sétimo dia, conseguimos a transferência para Divinópolis”, contou a mãe. 

A adolescente foi então levada para o Hospital São João de Deus, referência na região. Ao chegar à unidade, o quadro clínico já era grave. “Quando chegou lá, ela foi examinada e constataram a necrose. O pé de Emanuele estava necrosando praticamente todo”, afirmou Tatiana. 

De acordo com a família, a extensão da lesão exigia um tratamento específico que não era disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde. Diante da urgência, a mãe recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão obrigando o Estado a custear os procedimentos necessários. 

“Entramos na Justiça, conseguimos judicializar e conseguimos que o Estado custeasse o tratamento de Emanuele”, disse. 

Ao todo, a adolescente permaneceu 83 dias internada, passando por cirurgias e procedimentos para tentar preservar o pé. Ela recebeu alta hospitalar no dia 24 de dezembro. No entanto, segundo a mãe, o tratamento estava longe de ser concluído. 

“Emanuele ainda necessita de mais cirurgia, de procedimento para a pele, porque ela tem uma ferida em aberto no pé. Ela também precisa fazer a cirurgia do osso, colocar placa e não fez a cirurgia final ainda”, relatou. 

É neste ponto que, segundo a família, começa o novo drama. Tatiana afirma que, após a alta hospitalar, o Governo do Estado suspendeu o custeio do tratamento, mesmo com decisão judicial anterior favorável. 

“Desde o dia 24 de dezembro, a gente está nessa peleja, porque o Estado parou de custear o tratamento, sendo que os procedimentos de Emanuele não acabaram”, denunciou. 

Há dois meses, a adolescente está em casa, realizando apenas curativos na própria. 

“Emanuele tem uma ferida aberta no pé e precisa de cirurgia. Ela está correndo risco de infecção e amputação do pé”, alerta a mãe. 

A família ingressou novamente na Justiça para tentar obrigar o Estado a retomar o custeio integral do tratamento. Entretanto, segundo Tatiana, até o momento não houve resposta. 

“Já tem dois meses que Emanuele está em casa. Está na mesa do juiz, mas a gente não tem nenhuma resposta”, afirmou. 

Em tom de desabafo, a mãe classifica a situação como descaso. “É um descaso com Emanuele. Ela tem 15 anos e uma vida toda pela frente. A saúde vem em primeiro lugar, mas não é isso que a gente está vendo”, declarou. 

O caso reacende o debate sobre o cumprimento de decisões judiciais na área da saúde e a responsabilidade do Estado em garantir continuidade de tratamento, especialmente em situações graves e com risco de sequelas permanentes. Enquanto o impasse jurídico se arrasta, a adolescente segue aguardando a cirurgia que pode definir se manterá ou não o próprio pé. 

A reportagem deixa espaço aberto para manifestação do Governo de Minas Gerais e dos órgãos responsáveis pela execução da decisão judicial.