As recentes apreensões realizadas em municípios vizinhos confirmam que sabão em pó falsificado está sendo colocado à venda em comércios de Itaúna e de toda a região Centro-Oeste de Minas. Investigações da Polícia Civil e da Polícia Militar revelam a atuação de um esquema estruturado que envolve galpões de produção, armazenagem e distribuição do produto adulterado.
Nesta quinta-feira, 28, em Juatuba, agentes do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico interceptaram um galpão onde estavam armazenadas cerca de 10 toneladas de matéria-prima para fabricação de sabão em pó. Além dos insumos, havia centenas de caixas vazias prontas para receber o produto falsificado de marcas conhecidas. No local, trabalhavam homens, mulheres e até menores de idade.
O que seria uma operação voltada ao combate ao tráfico de drogas acabou revelando um esquema de falsificação de vários produtos de limpeza. Durante diligências, equipes do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) e da Polícia Civil localizaram um galpão com cerca de 10 toneladas de insumos usados na produção de sabão em pó clandestino.
Segundo a corporação, a investigação inicial apurava a movimentação suspeita de caminhões que poderiam estar envolvidos no transporte de entorpecentes. No entanto, ao chegarem ao local, os agentes se depararam com grandes quantidades de pó químico que eram embalados e vendidos como se fossem de uma marca reconhecida no mercado.
No interior do galpão, a polícia encontrou não apenas os sacos com matéria-prima, mas também caixas utilizadas para embalar os produtos falsificados. Havia ainda trabalhadores atuando no local, entre eles mulheres e adolescentes.
A perícia oficial da Polícia Civil foi acionada para avaliar as condições do espaço, recolher amostras do material e apurar a real dimensão do esquema. O caso segue sob investigação.
Vários casos na região
Esse não é um caso isolado. Em março deste ano, a Polícia Militar fechou uma fábrica clandestina no Bairro Rancho Alegre, em Divinópolis, onde foram apreendidas aproximadamente 40 toneladas de sabão em pó, milhares de embalagens e veículos usados para transporte. Dois responsáveis foram presos em flagrante. O material, segundo a PM, seria distribuído para estabelecimentos comerciais da região, incluindo Itaúna.
Meses antes, em outubro de 2024, outra operação conjunta da Polícia Civil havia desmontado dois galpões clandestinos em Divinópolis e Carmo do Cajuru. A ação resultou na apreensão de cerca de 60 toneladas do produto irregular, além de equipamentos e insumos utilizados na produção. Um homem foi preso em flagrante e outros dois conduzidos à delegacia.
As investigações apontam que os criminosos simulam a aparência de marcas líderes do mercado, utilizando embalagens semelhantes às originais para enganar consumidores. O esquema, além de causar prejuízo financeiro para a indústria, representa riscos à saúde, já que a composição do sabão em pó falsificado não segue padrões de qualidade.
A fabricante Unilever, responsável pela marca OMO, afirmou que acompanha as apurações em parceria com as autoridades policiais. A empresa alerta que consumidores podem identificar possíveis falsificações observando aspectos como a qualidade do fechamento da embalagem, uniformidade da impressão, codificação de lote e data a laser, além de características de cor, perfume e desempenho do produto. Casos suspeitos podem ser denunciados diretamente ao SAC da empresa pelo site www.unilever.com.br/contactou pelo telefone 0800-707-9977.
Uma fonte do Jornal S’Passo, de dentro da Polícia Civil, confirmou que as operações criminosas recentes em Juatuba, Divinópolis e Carmo do Cajuru, evidenciam que a chamada “quadrilha do sabão em pó” mantém um esquema ativo em toda a região, abastecendo comércios locais e colocando em circulação milhares de unidades adulteradas. As polícias seguem investigando para identificar os demais envolvidos e impedir a continuidade da prática criminosa.
Combate às falsificações
A Receita Estadual de Minas Gerais evitou a movimentação de R$ 6,7 milhões em mercadorias pirateadas e a sonegação de R$ 1,2 milhão em impostos ao desmantelar esquemas de produção de sabão em pó falsificado entre maio de 2024 e agosto de 2025. Só neste ano, doze fábricas clandestinas foram fechadas no estado.
Durante as fiscalizações, os fiscais apreenderam 450 toneladas de produtos adulterados, que imitavam marcas conhecidas e tinham cor, cheiro e até embalagens semelhantes ao original.
No mesmo período, além do sabão pronto, foram recolhidos insumos para a fabricação de outras 270 toneladas de sanitizante falsificado. Uma das operações mirou uma gráfica de Belo Horizonte que produzia as embalagens falsas, com logotipos copiados, rótulos impressos sem autorização e até elementos de marca registrada do OMO.







