Mau cheiro volta a incomodar e mortandade de peixes no Rio São João levanta alerta ambiental 

0
307

Moradores de diferentes regiões de Itaúna voltaram a manifestar preocupação nos últimos dias por causa de um forte odor que tem tomado conta do ar, principalmente durante a noite. O cheiro intenso, descrito por muitos como semelhante a material em decomposição ou queima de resíduos, tem sido percebido com frequência e, até o momento, sua origem permanece desconhecida. 

Relatos chegaram de bairros como Parque Jardim, Residencial Santanense, Centro, Belvedere, de Loures, Jadir Marinho, Veredas, Padre Eustáquio e Leonane. Em comum, os moradores destacam o incômodo constante e o receio de que o problema esteja relacionado a algum tipo de poluição ambiental que possa afetar a saúde da população. 

A Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente confirmou que tem recebido manifestações por meio da Ouvidoria Municipal e informou que as ocorrências estão sendo analisadas tecnicamente. O objetivo é reunir dados sobre locais, horários e intensidade do odor para tentar identificar sua possível origem, considerando as diversas atividades industriais e urbanas existentes no município. 

Segundo o órgão, caso seja constatado que o cheiro esteja relacionado a alguma atividade licenciada pelo Estado, as informações serão encaminhadas à Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram), responsável pelas providências cabíveis. Se a origem estiver associada a atividades sob responsabilidade municipal, a Prefeitura afirma que adotará as medidas administrativas necessárias. 

O histórico do problema, no entanto, não é recente. Em anos anteriores, a própria administração municipal chegou a apontar a dificuldade de fiscalização por falta de regulamentação específica para o monitoramento de odores, o que tornaria mais complexa a comprovação de eventual poluição atmosférica. 

Uma indústria de rações localizada às margens da MG-431, frequentemente citada por moradores como possível fonte do cheiro, já havia negado qualquer ligação com o problema em ocasiões anteriores. Procurada novamente pela reportagem, a empresa não havia se manifestado até o fechamento desta matéria. 

A Prefeitura orienta que a população continue registrando reclamações formais na Ouvidoria, informando local, data e horário em que o odor é percebido. Segundo a administração, esses dados ajudam na apuração e no direcionamento das ações de fiscalização. 

Retranca 

Denúncia aponta descarga de prováveis poluentes lançada no Córrego da Várzea

Paralelamente ao aumento das queixas sobre o mau cheiro, um novo fato chamou a atenção nos últimos dias: imagens mostrando o que seria uma descarga com aspecto poluidor sendo lançada no Córrego da Várzea, que deságua no Rio São João. 

De acordo com os registros recebidos, a água apresentava coloração e características incomuns e, nas proximidades, foram vistos peixes e outros animais aquáticos mortos ao longo do leito. A situação gerou preocupação entre moradores da região, que temem impactos ambientais mais amplos. 

Diante do ocorrido, a comunidade pede a atuação imediata dos órgãos competentes para verificar a origem do despejo irregular, identificar possíveis responsáveis e avaliar os danos causados ao ecossistema. Há ainda questionamentos sobre uma eventual ligação entre esse tipo de descarga e o mau cheiro sentido em diversos pontos da cidade nos últimos dias. 

Até o momento, não há confirmação oficial de que os dois casos estejam relacionados. Mesmo assim, o episódio reforça o alerta e a necessidade de investigação detalhada por parte das autoridades ambientais, tanto municipais quanto estaduais, para garantir a preservação dos recursos hídricos e a segurança da população.