Mirinho rebate fala de Rosse e cobra ação da prefeitura para trazer Instituto Federal a Itaúna

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Ex-vereador também critica postura da base aliada e denuncia falta de resposta a pedidos de informação sobre aprovação de loteamentos; líder do prefeito reage e defende o SAAE

O ex-vereador Geraldinho de Souza Filho (PT), conhecido como Mirinho, discursou na tribuna da Câmara, em resposta a uma declaração do vereador Rosse Andrade (PL). O parlamentar bolsonarista havia afirmado que “a esquerda vem na tribuna, apresenta os problemas e some, sem dar solução”.

De forma veemente, o petista rebateu a fala e afirmou que a esquerda tem, sim, buscado soluções concretas para a cidade. Como exemplo, Mirinho destacou o empenho dele e de representantes dos movimentos progressistas locais para tentar viabilizar a instalação de um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFMG) em Itaúna.

“Desde maio estamos tentando trazer para Itaúna o Instituto Federal. Já buscamos vários locais, conversamos com a secretária Regina Célia, com o prefeito Gustavo Mitre, com o deputado Rogério Corrêa e até com a reitora do IFMG. Fomos ao INSS em Pará de Minas pedir autorização para uso do imóvel daqui, mas parte do prédio está tomada por arquivos de 21 cidades da região. Infelizmente, não houve vontade política para resolver o problema”, afirmou Mirinho.

Segundo o ex-vereador, a cidade ainda pode ser contemplada com a criação de um campus federal, caso o governo Lula anuncie novas unidades, o que deve ocorrer em breve.

“Se o governo anunciar novos Institutos Federais ainda neste ano, Itaúna precisa estar pronta. Temos espaços ociosos que poderiam ser cedidos, como parte das instalações da FAESAL. É uma oportunidade que não pode ser perdida”, completou.

Os Institutos Federais são instituições públicas federais que ofertam ensino técnico, superior e tecnológico, com foco na pesquisa aplicada e no desenvolvimento social e produtivo das regiões onde se instalam.

Ex-vereador pede investigação de licenças emitidas pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente

Durante o mesmo discurso, Mirinho cobrou da base aliada do prefeito Gustavo Mitre (Republicanos) uma postura mais fiscalizadora em relação às ações do Executivo, especialmente sobre processos de aprovação de loteamentos e obras na cidade. Ele lembrou que ainda não obteve resposta de um pedido de informação sobre 73 processos liberados recentemente o vice-prefeito, que era também Secretário de Urbanismo e Meio Ambiente.

As indagações surgem justamente após a instauração de uma Comissão Processante que investiga o desaparecimento do prefeito, após ser mencionado como um dos articuladores da liberação de licenças ambientais para exploração mineral na época em que o político era servidor de carreira do Governo do Estado.

“Eu queria fazer um apelo a esta casa, principalmente aos vereadores da base do prefeito. Vocês ajudam muito mais o prefeito fiscalizando as ações dos secretários do que puxando o saco. Na década de 90, chamavam de aspones aqueles que bajulavam político — assessores de porcaria nenhuma. A cidade só cresce quando há contraditório”, disparou.

Mirinho afirmou que a liberação em massa de loteamentos “a toque de caixa” levanta suspeitas e pode comprometer o meio ambiente e o futuro da cidade. “Será que esses loteamentos estão sendo aprovados dentro da barragem? Será que está tudo correto? Se antes estavam parados, era porque havia pendências. Ou os técnicos antigos eram incompetentes ou os novos são milagrosos”, ironizou.

O ex-vereador disse ainda que, em seu mandato, já havia barrado projetos irregulares, como o de um loteamento no Veredas, e que chegou a ser ameaçado de morte por isso. “Eu tive coragem de impugnar loteamentos que não deixavam área verde, nem institucional. Fiscalizar é papel do Legislativo, não do Executivo”, reforçou.

Mirinho reforçou o pedido de transparência na análise dos projetos urbanísticos e cobrou uma resposta oficial da Prefeitura sobre os 73 processos liberados. “Isso aqui não é qualquer coisa. É o futuro da cidade, é a barragem, são os loteamentos, é a qualidade de vida da população. O povo conta com vocês, vereadores”, concluiu o ex-parlamentar.

Querem privatizar o SAAE, “como Zema quer fazer com a Copasa”

Em outro trecho de sua fala, Mirinho também manifestou preocupação com o avanço das políticas de privatização dos serviços públicos, especialmente do SAAE Itaúna. Ele citou o exemplo da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que o governo estadual tenta conceder à iniciativa privada.

“Eu tenho receio de que estejam querendo sucatear o SAAE para justificar uma privatização. O SAAE não é para qualquer um administrar. Se privatizar, a população vai perder, e muito”, alertou.

A declaração gerou reação imediata do líder do prefeito na Câmara, vereador Léo Alves (Podemos), que saiu em defesa da administração e negou qualquer intenção de privatizar a autarquia.

“O prefeito Gustavo Mitre não está querendo privatizar o SAAE, e sim ampliar e fazer investimentos. O SAAE é a menina dos olhos de Itaúna. A fala do ex-vereador é completamente inconsequente e sem cabimento”, rebateu o líder do governo.