Moradores da Reta de Santanense pedem retirada do depósito da Prefeitura do local

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Na coluna Bairro a Bairro desta semana, está em foco o núcleo Residencial Vitor Gonçalves de Sousa, popularmente conhecido como Reta de Santanense, uma região de Itaúna que conta com cerca de 300 moradores e fica situada entre os bairros Santanense e São Judas Tadeu. A comunidade está unida para reivindicar a retirada do depósito de materiais e rejeitos instalado pela prefeitura no início deste ano, o que, segundo eles, têm impactado a vida dos moradores.

De acordo com os relatos, a intensa poeira no local tem causado problemas respiratórios, afetando a saúde das pessoas, além de uma constante sujeira nas residências. Um vídeo encaminhado à reportagem mostra uma névoa de poeira com a movimentação de terra e a passagem de veículos. “Não tem condições de viver em um lugar desses. Até quando vamos conviver com isso”, questiona uma moradora.

Isabela Vieira diz que tem asma e a poeira já faz parte do dia a dia. “Para quem tem problemas respiratórios, como eu e minhas filhas, está ficando insustentável conviver com esse depósito. Estamos ficando doentes”, reclama.

A denúncia dos moradores é que o depósito tem causado perturbação de sossego, devido ao tráfego intenso e o barulho dos caminhões. O local está sendo usado para armazenar resíduos da construção civil e materiais como fresa asfáltica e escória, que serão usados em obras de pavimentação na cidade.

Meio ambiente

A queixa dos moradores da Reta de Santanense é que a instalação do depósito está afetando também o meio ambiente, uma vez que a área não está devidamente licenciada para esse tipo de atividade de armazenamento de resíduos.

Fiscalização da Câmara faz boletim de ocorrência

Após diversas denúncias e protestos dos moradores, o tema chegou à Comissão de Meio Ambiente da Câmara. A presidente da Comissão, vereadora Edênia Alcântara, encaminhou as denúncias dos moradores à Superintendência Regional de Meio Ambiente.

De acordo com a parlamentar, em visita de fiscalização, foi constatado que caminhões estavam despejavam entulho e lixo, além de material retirado do cemitério, nas margens do São João. “Também havia um cano estourado e jogando esgoto no leito do Rio, por isso registramos um boletim de ocorrência, junto à Polícia Militar”, afirmou a parlamentar.

Após denúncia, a Supram fiscalizou o local e constatou que o aterro avançou para a área de preservação permanente da margem esquerda do Rio São João.

Vereadora Márcia Cristina denunciou caso ao Ministério Público

Ao Jornal S`PASSO, a vereadora Márcia Cristina, que reside na Reta de Santanense, confirmou que de fato, a situação da avenida está insustentável. “Poeira, mau cheiro, barulho. E antes mesmo dessa proliferação de pernilongos na cidade, nós, moradores da reta, já estamos sofrendo com isso”, relata.

A parlamentar confirmou que em 2023, fez denúncia junto ao Ministério Público, através da Promotoria do Meio Ambiente para que fosse solucionado o problema. “A implementação de um depósito de material e descarte de entulhos em uma área residencial e de preservação ambiental, além de contaminar o solo, resulta na contaminação de minas e do rio”.

A notícia de fato apresentada pela vereadora, que foi encaminhada ao Ministério Público, consta de boletins de ocorrência, fotos, vídeos e até um abaixo assinado com cerca de 100 assinaturas dos moradores do local.

Dentre a documentação e provas encaminhadas à promotoria, foi cientificado o despejo de uma montanha de lixo depositada às margens do Rio São João, dentro do depósito da prefeitura. Na denúncia, os moradores afirmam ainda que “a Prefeitura está desrespeitando o horário de descanso da população fazendo descarga de materiais durante a madrugada, descartando lixo às margens do rio São João, e causando risco de acidente devido à entrada e saída de caminhões no local, sem a devida sinalização de trânsito”.