Um grupo de motoristas de aplicativo de Itaúna voltou a cobrar dos vereadores medidas para regulamentar a atuação de condutores de outras cidades no município. A reivindicação foi apresentada publicamente na internet pelo motorista Paulo Henrique, que defende regras mais rígidas para garantir equilíbrio de mercado e mais segurança aos passageiros.
Segundo ele, atualmente operam na cidade plataformas como inDrive, 99, 2V e Drive 37. Entre elas, inDrive e 99 seriam as que mais possibilitam a entrada de motoristas de fora para atuar em Itaúna.
Paulo Henrique argumenta que, ao contrário do que ocorre aqui, cidades vizinhas como Divinópolis e Pará de Minas exigem que os motoristas estejam cadastrados e regulamentados na prefeitura local para poder trabalhar. De acordo com ele, quem atua de forma irregular nesses municípios pode ter o veículo apreendido e ser multado em caso de fiscalização.
“Hoje nós, moradores de Itaúna, não podemos trabalhar em Divinópolis ou Pará de Minas sem estar cadastrados lá. Se formos parados numa blitz e o policial ver que você não está regularizado, o carro pode ser apreendido. Aqui, no entanto, motoristas de fora trabalham livremente”, afirmou.
Impacto econômico e na segurança
O motorista sustenta que a entrada de condutores de outras cidades tem provocado redução na tabela de preços e queda na demanda para os profissionais locais. Ele também aponta reflexos na segurança e na qualidade do serviço prestado.
“Muitos passageiros talvez não levem isso em consideração, mas há relatos de pertences esquecidos que não foram devolvidos, desconforto com alguns motoristas e problemas de trajeto. O mais importante é a segurança, claro, mas o percurso também pesa muito. O motorista que não conhece Itaúna pode atrasar o passageiro para o trabalho, para a escola ou para um compromisso importante”, declarou.
Como exemplo, Paulo citou situações em que motoristas confundem bairros da cidade. “Já houve caso de passageiro querer ir para o Morro do Nova e o motorista seguir em direção ao Morro do Engenho. Isso gera atraso e transtorno.”
Diferença no custo de manutenção
Outro ponto levantado é a diferença no custo de manutenção dos veículos. Segundo ele, cidades maiores oferecem peças, pneus e serviços mecânicos a preços mais acessíveis, o que permitiria aos motoristas de fora trabalhar com tarifas mais baixas.
“Em Divinópolis e Pará de Minas, a manutenção é mais barata. Aqui em Itaúna, o custo é mais alto. Nós cobramos de acordo com o poder de compra e a realidade da cidade. Não é questão de preço abusivo, é questão de fechar a conta no fim do mês”, argumentou.
Pedido de revisão na legislação
Ao final, Paulo Henrique fez um apelo direto aos vereadores e à prefeitura para que avaliem a criação ou revisão de uma legislação específica para o setor, estabelecendo critérios de cadastro e regulamentação para motoristas que atuam na cidade.
“Pedimos encarecidamente que os vereadores e o prefeito revejam essa pauta. Precisamos de regras claras. Do jeito que está, os motoristas de fora trabalham de forma descoordenada e isso prejudica quem é da cidade e também o passageiro”, concluiu.







