Operação nacional mira “falsos advogados” e casos também são registrados em Itaúna 

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A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou nesta quinta-feira, 23, a Operação Litis Simulatio, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por aplicar o chamado golpe do falso advogado em diversos estados do país. A ação contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas, do Ministério da Justiça, e resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão e 16 prisões temporárias nos estados do Rio de Janeiro e Ceará. 

De acordo com as investigações, o grupo se especializou em usar informações verdadeiras de processos judiciais — como ações previdenciárias, de precatórios e RPVs — para enganar vítimas que acreditavam estar quitando despesas legítimas de seus processos. O golpe foi descoberto após uma moradora de Florianópolis transferir R$ 270 mil aos criminosos, convencida de que o valor seria destinado a “custas processuais” e “honorários advocatícios”. 

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos responderão por estelionato (art. 171 do Código Penal), associação criminosa (art. 288) e lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98). Somadas, as penas podem ultrapassar 15 anos de prisão, além de multas e confisco de bens. 

Em Itaúna

A operação nacional reacende o alerta também em Itaúna, onde o Jornal S’Passo tem acompanhado nos últimos meses o crescimento de denúncias relacionadas ao mesmo tipo de golpe. De acordo com informações obtidas junto à Delegacia de Polícia Civil, pelo menos seis pessoas já foram vítimas recentemente. Em um dos casos, uma mulher perdeu R$ 20 mil ao acreditar que fazia uma transferência a pedido de seu advogado. Outro casal depositou R$ 9 mil, acreditando que o valor seria usado para agilizar um processo judicial. 

Em entrevista recente à imprensa, o delegado Leonardo Pio explicou que os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para dar veracidade às abordagens.

“Eles têm acesso a dados reais dos processos e simulam uma comunicação profissional, se passando por advogados ou secretárias de escritórios. O contato é feito por telefone, mensagens ou e-mail, e o pedido de pagamento vem com um tom de urgência que faz a vítima agir sem checar as informações”, detalhou o delegado. 

Ainda conforme apuração do Jornal S’Passo, cerca de 20 profissionais da advocacia itaunense já notificaram formalmente a OAB sobre casos em que seus nomes foram utilizados indevidamente pelos golpistas.

As autoridades reforçam que qualquer solicitação financeira relacionada a processos deve ser confirmada diretamente com o advogado de confiança ou verificada no sistema oficial do Tribunal de Justiça. Em caso de dúvida, a orientação é não efetuar pagamentos e procurar imediatamente a Polícia Civil ou a OAB local.