O Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região levou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais denúncias sobre o Banco Santander. Em audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, solicitada pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), representantes da categoria alertaram para a precarização no atendimento e a redução de direitos dos trabalhadores.
As críticas se concentram no fechamento de agências, terceirização de funcionários e sobrecarga de atendimento, mesmo em meio a lucros bilionários. No primeiro semestre deste ano, o Santander registrou lucro de R$ 7,5 bilhões, 20% superior ao do mesmo período em 2024.
“Não faz sentido uma instituição que lucra bilhões reduzir postos de trabalho e oferecer atendimento ruim à população. O objetivo parece ser apenas aumentar os ganhos, em detrimento de trabalhadores e clientes”, afirmou Ramon Silva Rocha Peres, presidente do Sindicato dos Bancários.
Ameaça de fechamento revertida em Itaúna
Itaúna foi alvo de preocupação recentemente, quando o Santander ameaçou o fechamento da agência local. A possibilidade gerou mobilização de clientes e atenção do sindicato, que denunciou o risco. Diante da repercussão e das reclamações, o banco retrocedeu e manteve a unidade funcionando, garantindo atendimento presencial aos clientes.

Redução de funcionários e “Multicanalidade”
Segundo o sindicato, projetos como o “Multicanalidade”, implantado em 2022, transformaram agências em “lojas” com menos funcionários e horário de atendimento estendido. Algumas unidades em Belo Horizonte, por exemplo, contam com apenas três trabalhadores, aumentando a pressão sobre a equipe e prejudicando o atendimento.
A terceirização de funcionários para empresas coligadas também foi denunciada, fazendo com que bancários percam benefícios como jornada reduzida, auxílio para formação e participação nos lucros. Além disso, o crescimento de correspondentes bancários — pontos de atendimento em supermercados, farmácias e padarias — transfere riscos e responsabilidades sem garantir o mesmo padrão de serviço.
Autoridades vão acompanhar
O superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans, classificou as denúncias como “graves” e se colocou à disposição para intermediar diálogo entre sindicato, Banco Central e Receita Federal. A deputada Beatriz Cerqueira lamentou a ausência de representantes do Santander na audiência e criticou a falta de esclarecimentos sobre os problemas relatados. “É fundamental que bancos bilionários como o Santander respeitem leis trabalhistas, direitos dos funcionários e ofereçam atendimento adequado à população”, destacou.







