O Núcleo de Ensino e Profissionalização do Presídio de Itaúna acaba de lançar uma campanha para arrecadação de livros, com o objetivo de ampliar o acervo literário disponível aos custodiados e fortalecer ações de educação e ressocialização. A iniciativa conta com o apoio da 34ª Subseção da OAB/MG – Itaúna, uma das principais incentivadoras do projeto.
A campanha faz parte do programa “Remição pela Leitura”, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, regulamentado pela Resolução 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça. O projeto oferece aos presos a oportunidade de reduzir parte da pena por meio da leitura de obras literárias, científicas ou filosóficas. Para cada livro lido e acompanhado de um relatório, o detento pode ter quatro dias de pena reduzidos, com o limite de 12 livros por ano.

A presidente da OAB Itaúna, Dra. Tânia Regina de Faria Batista, explicou a importância da campanha. “Como os presídios estão com poucos livros, contamos com a doação da população para que o projeto possa continuar acontecendo e que cada vez mais pessoas privadas de liberdade possam ter oportunidade à leitura, à cultura e uma chance à ressocialização. Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”, parafraseou Mário Quintana.
O diretor adjunto do Presídio, Schinayder Rodrigues, ressaltou, em suas redes sociais, a relevância da parceria com a OAB. ”A Subsede da Ordem dos Advogados do Brasil tem sido uma parceira fundamental no processo de humanização e ressocialização do sistema prisional. A recente campanha de arrecadação de livros para os custodiados do Presídio é mais do que uma ação solidária — é um investimento social. Por meio da leitura, muitos privados de liberdade têm a oportunidade de se alfabetizar, se profissionalizar e remir pena de forma digna. Os reflexos são visíveis dentro da unidade e, sobretudo, na própria sociedade, que, muitas vezes sem perceber, colhe os frutos dessa transformação”, afirmou.
Schinayder completou dizendo que “hoje o preso está contido, amanhã está contigo. A mudança de mentalidade e o preparo para o retorno ao convívio social são essenciais para a construção de uma comunidade mais segura e equilibrada. O verdadeiro combate à criminalidade também passa pela educação, pelo exemplo e pela responsabilidade coletiva”, finalizou.
As doações
As doações podem ser entregues na sede da OAB Itaúna, localizada na Praça Doutor Augusto Gonçalves, 10 – Centro. A lista de livros sugeridos inclui obras como O menino do pijama listrado, de John Boyne; O caçador de pipas, de Khaled Hosseini; Nunca desista dos seus sonhos, de Augusto Cury; O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger; O diário de Anne Frank, de Anne Frank; O futuro da humanidade, de Augusto Cury; A cabana, de William P. Young; Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos;
Dentre os preferidos dos detentos estão também os livros: O vendedor de sonhos, de Augusto Cury; O alienista, de Machado de Assis; O alquimista, de Paulo Coelho; A revolução dos bichos, de George Orwell; O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry; O estrangeiro, de Albert Camus; Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado; O filho eterno, de Cristóvão Tezza; Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre; Cidade das sombras, de Khaled Hosseini; Toda poesia, de Paulo Leminski; Moby Dick, de Herman Melville; O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; O Ateneu, de Raul Pompeia; Senhora, de José de Alencar; A menina que roubava livros, de Markus Zusak; e A mordida da manga, de Suzanne McClelland.
Ainda de acordo com a OAB, também serão aceitas doações de livros didáticos, para que os detentos possam estudar para o ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).







