Reunião da Câmara vira palco de acusações, gritos e ofensas pessoais entre vereadores 

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Sessão plenária foi marcada por palavras de baixo calão, dedo na cara e quase  agressão entre os parlamentares Kaio Honório e Wenderson

A sessão da Câmara desta semana foi um espetáculo poucas vezes visto na política municipal, porém, deixou transparente a opinião de vários parlamentares frente ao comportamento do vereador Kaio Honório. Ofensas pessoais, ataques cruzados, gritaria, tumulto e quase agressão física. 

A raiz do problema é simples de explicar e complexa de resolver: há mais candidatos que votos no mesmo espaço político. A base conservadora, que até pouco tempo marchava unida, se esfacelou diante do lançamento de três pré-candidaturas a deputado estadual surgidas dentro da própria Câmara: Wenderson da Usina, Kaio Honório e Carol Faria. 

A disputa mais feroz ocorre entre Wenderson e Kaio, que entraram numa guerra aberta pelo mesmo eleitorado — um confronto que não apenas divide o grupo, mas ameaça reduzir o desempenho da direita no próximo pleito. Carol Faria, por sua vez, caminha na contramão: colocou seu nome no jogo, articula discretamente nos bastidores, não se envolveu em nenhum conflito e, por isso, virou a aposta que pode até surpreender em 2026. 

Enquanto isso, Rosse Andrade segue navegando no olho do furacão. Crítico contumaz da atual administração, aparece envolvido em embates sucessivos e em denúncias que ainda reverberam. Sua postura, somada à sinalização de que poderá apoiar um candidato de fora — o prefeito de Itatiaiuçu que pretende disputar vaga na Assembleia, e o ex-prefeito Neider Moreira — provocou irritação em Kaio.  

O resultado foi a polêmica “Operação Castor”, deflagrada pelo próprio vereador e que coloca Rosse no centro das investigações por supostas irregularidades na época em que comandou a Secretaria de Infraestrutura, quando a supressão de árvores às margens do Rio São João levantou suspeitas de comercialização indevida da madeira. Com tantos conflitos acumulados, a reunião da Câmara tinha tudo para explodir — e explodiu. 

Cena de reality show 

A faísca que incendiou o plenário veio logo na Ordem do Dia, quando Kaio Guimarães pediu a exibição de um vídeo do circuito interno da Casa. Nas imagens, a Secretária de Desenvolvimento Social, Gláucia Santiago — suplente de deputada e mãe de Hidelbrando Neto — aparece acompanhada de um advogado nos corredores do Legislativo no dia da votação da Comissão Processante. O gesto foi interpretado como articulação política. E, embora nada ilegal tenha sido constatado, a sessão pegou fogo. 

Alexandre Campos, que teve seu gabinete visitado por Gláucia, questionou imediatamente a autorização de divulgação do vídeo. O presidente da Câmara, Toinzinho, afirmou ter parecer jurídico favorável. A resposta gerou outra discussão: por que o mesmo critério não foi usado quando o vídeo de vandalismo contra o gabinete de Gustavo Barbosa — quando “pó de mico ou peido alemão” foram passadas na fechadura — não foi liberado? Daí em diante, o debate descambou para o barraco. 

“Filho de chocadeira”  

A partir desse momento, o plenário mergulhou num vale-tudo verbal. Alexandre Campos atacou Kaio diretamente, acusando-o de querer manchar a história da tradicional família Santiago. A situação chegou ao absurdo quando Alexandre, olhando fixamente para o colega, repetiu três vezes: “Você é filho de chocadeira?” O insulto chocou até quem já está acostumado ao nível decadente do debate político local. 

Wenderson da Usina tomou a palavra logo depois, acusando Kaio de agir sempre com “picuinhas”, de buscar “cenas de filme” e de transformar o Legislativo num cenário de Netflix em vez de trabalhar pela cidade. O vereador relembrou do vexatório episódio intitulado como “Formação Desejável”, que foi a aprovação de uma alteração em uma Resolução proposta pelo atual presidente da Câmara, Toinzinho, que modificava os critérios para contratação de cargos de gerência do legislativo. As mudanças foram feitas a pedido de Kaio Honório, já que indicou um servidor para o cargo de Chefe de Comunicação que não tinha curso superior. A modificação retirou a exigência do ensino superior, apenas o ensino médio completo, sendo o ensino superior apenas “desejável”. Para os demais cargos de chefia e gerência, também foi adicionada a palavra “desejável” em relação à formação superior, o que torna essa qualificação opcional, não obrigatória. Para Wenderson, o caso foi vexatório, já que o próprio Kaio tinha outra opinião em mandato passado. 

O ápice, porém, veio com Rosse Andrade, que, aos gritos, chamou Kaio de “moleque” e “capeta com a Bíblia na mão”, numa referência direta ao fato de o vereador ser pastor evangélico. 

A sessão ficou completamente descontrolada. O presidente Toinzinho, fragilizado e acuado, não conseguiu retomar a ordem — uma situação que provocou, horas depois, um vídeo do vereador Guilherme Rocha afirmando que, na prática, “quem preside a Câmara é Kaio, não Toinzinho”, e que ou o presidente “assume as rédeas” ou renuncia. 

Quase agressão 

Após o encerramento oficial da reunião, com as câmeras desligadas, veio o último capítulo do caos. Kaio teria provocado Wenderson, que reagiu colocando o dedo no rosto do colega e afirmando: “Você não tem moral para criticar ninguém. Passou quatro anos batendo no Neider e depois foi sentar no colo dele.” Os demais vereadores correram para separar. Não houve agressão física — por pouco. 

O episódio desta terça-feira consolidou a percepção de que a Câmara de Itaúna perdeu completamente a capacidade de manter a compostura institucional. A direita local, que um dia se vangloriou de ser ordenada e coesa, está rachada em múltiplas frentes:  

A disputa dentro da Câmara se intensificou com a guerra aberta entre Wenderson da Usina e Kaio Honório, ambos mirando a mesma fatia do eleitorado conservador e transformando a rivalidade eleitoral em confronto direto no plenário. Paralelamente, Kaio também trava uma batalha contra Rosse Andrade, marcada por denúncias e acusações de bastidores que ampliam ainda mais a instabilidade interna.  

A situação se agrava com o movimento de alguns vereadores que passaram a declarar apoio a candidatos de fora da cidade, gesto que aprofundou a insatisfação e expôs o rompimento definitivo do bloco de direita.