A indústria de ferro e aço do Centro-Oeste mineiro esteve em alerta nos últimos dias diante do risco de uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, chegou a preocupar empresários da região, já que o setor responde por quase 30% das exportações mineiras para o país.
Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais apontava que, caso a tarifa fosse aplicada de forma integral, as demissões poderiam ultrapassar 200 mil postos de trabalho, impactando em R$ 4,4 bilhões a renda das famílias mineiras.
A tensão, no entanto, foi amenizada após a divulgação, nesta quarta-feira (30), do decreto oficial assinado pelo presidente Donald Trump, que incluiu uma lista com 694 itens livres da nova taxação. Entre os produtos que ficaram de fora estão aço, suco de laranja, aviões e petróleo – itens estratégicos para a economia brasileira. A nova tarifa, que eleva de 10% para 50% a taxa sobre produtos brasileiros, passa a valer a partir do dia 6 de agosto, mas não deve afetar a cadeia do aço.
Com o novo cenário, o Jornal S’Passo procurou a Belgo Arames, uma das principais indústrias do setor instalada em Itaúna, para saber se a empresa enxerga riscos futuros caso o aço seja incluído em uma eventual mudança nas exceções.
Em nota, a companhia afirmou que “ainda é cedo para mensurar algum possível impacto da medida do governo americano em seus negócios em Itaúna”. De acordo com a assessoria de comunicação da empresa, a Belgo reforçou que concluiu recentemente um investimento de R$ 200 milhões para modernização de suas plantas dedicadas ao steel cord – arame utilizado na fabricação de pneus – incluindo a unidade itaunense. A empresa também destacou que não há previsão de férias coletivas em Itaúna, desmentindo rumores que circulavam no município.
“Seguimos nosso ritmo de produção, fortalecendo a posição no mercado por meio de investimentos em tecnologia avançada de automação, como Inteligência Artificial e Internet das Coisas. Também mantemos foco em sustentabilidade, desenvolvimento de talentos e diversidade e inclusão”, diz a nota.
Férias coletivas em Sumaré
Enquanto Itaúna segue sem mudanças, a fábrica da Belgo Arames em Sumaré entrará em férias coletivas a partir de agosto, sem prazo para retorno. A medida acompanha a queda na demanda de fabricantes de pneus. Essa unidade, assim como a de Itaúna, recebeu parte dos mais de R$ 200 milhões aplicados pela companhia desde 2018, investimento que gerou mais de 300 empregos diretos em Itaúna e consolidou a cidade como referência nacional na produção de arames para pneus.
Somente em julho, a Belgo promoveu um feirão de empregos em Hortolândia, oferecendo 50 vagas imediatas e futuras para o setor operacional da unidade paulista. Incorporada em 2017, a planta de Sumaré ampliou a linha voltada para o mercado automotivo.
Belgo completa 50 anos
Em 2025, a Belgo Arames celebra 50 anos de presença no Brasil e o plano para os próximos anos inclui maior automação industrial, uso de IA, Internet das Coisas, investimentos em infraestrutura, ações de sustentabilidade e programas para promover diversidade e inclusão.
Atualmente, a companhia mantém oito unidades no país – em Minas Gerais, São Paulo e Bahia – empregando mais de 3,5 mil pessoas diretamente e outras 1,4 mil indiretamente. No portfólio, além do arame para pneus, estão fibras de aço, cordoalhas, arames para cabos e torres de transmissão, além de soluções para segmentos como agronegócio, construção civil, energia, telecomunicações e indústria automotiva.







