O debate em torno da poluição do Rio São João ganhou novos contornos nesta semana após entrevista concedida ao Jornal S’Passo pelo vereador de Pará de Minas, Leandro Guimarães, conhecido como Léo do Depósito. O parlamentar afirmou que pretende formalizar uma denúncia relacionada à ausência de tratamento adequado do esgoto de Itaúna, mas esclareceu que, até o momento, nenhuma representação partiu oficialmente de seu gabinete.
“Eu não sabia dessa questão da denúncia, não. Fiquei sabendo após a publicação da reportagem”, declarou o vereador, ao ser questionado sobre a possibilidade de o município paraminense acionar o Ministério Público. Apesar disso, Leandro foi enfático ao afirmar que acompanha o problema desde o mandato anterior, inclusive com visitas técnicas e acionamento de órgãos ambientais estaduais.
Segundo o parlamentar, ainda durante a fase de implantação da Estação de Tratamento de Esgoto de Itaúna, ele esteve no Serviço Autônomo de Água e Esgoto, dialogou com a antiga diretoria da autarquia e chegou a encaminhar documentação à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, solicitando atenção para o caso. “A gente acompanhou parte desse trabalho. Não é algo recente”, afirmou.
Após a inauguração da ETE, Leandro Guimarães relatou ter visitado a unidade e se disse surpreendido negativamente com as informações que recebeu. De acordo com ele, apenas cerca de 25% do esgoto gerado em Itaúna estaria sendo tratado, percentual muito abaixo da capacidade anunciada para a estação. “Isso me assustou. Fiquei extremamente triste”, disse.
Para ele, a principal explicação para a baixa eficiência estaria na ausência de tubulação suficiente para conduzir todo o esgoto da cidade até a estação. “Não adianta ter a ETE pronta se o efluente não chega até ela”, pontuou.
Leandro explicou que parte da infraestrutura existe, mas que há trechos ainda sem canalização adequada ao longo do Rio São João e de seus afluentes. Ele reconhece que se trata de uma obra complexa e de alto custo, mas reforça que a situação atual gera impactos ambientais que extrapolam os limites de Itaúna. “Isso afeta Pará de Minas, a região inteira e cidades rio abaixo”, alertou.
Durante a entrevista, o vereador fez questão de afastar qualquer tom de ataque político. “Não estou falando mal de Itaúna. Somos cidades irmãs. Isso é um problema estrutural, nacional”, afirmou. Ainda assim, destacou que o lançamento contínuo de esgoto sem tratamento no São João tem reflexos diretos no Lago Azul, importante reservatório natural de Pará de Minas.
Apesar de afirmar que não foi o autor da possível denúncia em estudo, Leandro Guimarães deixou claro que pretende avançar no tema. “Da minha parte ainda não partiu nada formal, mas eu quero fazer”, disse, indicando que uma representação pode ser encaminhada aos órgãos competentes, caso não haja avanços concretos.
Para o parlamentar, a recuperação do Rio São João deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a representar uma questão de saúde pública e responsabilidade regional. “É algo que mexe com todo mundo”, concluiu.
Pressão de empresas e impactos econômicos na atividade rural
Novas informações obtidas pelo Jornal S’Passo, junto a um servidor do município de Pará de Minas, reforçam que a possibilidade de denúncia contra Itaúna por poluição do Rio São João deixou de ser apenas uma discussão política e passou a ser tratada internamente dentro da Prefeitura como um problema concreto e urgente. A fonte preferiu não se identificar, temendo retaliações.
Segundo o servidor, o tema já foi citado em reuniões internas do Executivo paraminense e existe a intenção clara de avançar na iniciativa diante do agravamento dos impactos causados pela qualidade da água que chega ao município. “Isso foi citado dentro da Prefeitura de Pará de Minas, e há uma intenção clara”, afirmou.
De acordo com o relato, as reclamações são principalmente de empresários de diferentes segmentos industriais que estariam enfrentando dificuldades para utilizar a água do Rio São João, mesmo após processos de filtragem. “As reclamações não param de chegar de diversos empresários que não estão sequer conseguindo aproveitar a água advinda do rio para filtrar e utilizar na indústria”, revelou a fonte.
Outro grupo diretamente afetado, segundo o servidor, é o de produtores rurais. Fazendeiros que utilizam a água do rio para dessedentação animal também estariam relatando prejuízos e insegurança sanitária. A situação, conforme apurado, tem elevado custos e ampliado a preocupação com a saúde dos rebanhos.
Além dos impactos econômicos e rurais, o município enfrenta dificuldades operacionais no próprio sistema de abastecimento. A fonte confirmou que Pará de Minas tem encontrado obstáculos crescentes no tratamento da água captada. “O município de Pará de Minas tem tido dificuldades para tratar a água que chega de Itaúna”, declarou.







