Vereador Kaio Honório surpreende ao denunciar aliado e expor caso de suposto superfaturamento de medicamentos à Justiça

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Mesmo sendo o principal articulador da emenda parlamentar, parlamentar protocolou denúncia no MP, pedindo investigação do deputado Maurício do Vôlei, até então, seu parceiro de “dobradinha” nas eleições de 2026 

O meio político itaunense foi surpreendido esta semana com a atitude do vereador Kaio Honório (PMN), que formalizou denúncia ao Ministério Público pedindo investigação sobre o caso de suposto superfaturamento na compra de medicamentos adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado federal Maurício Luiz de Souza (PL), o Maurício do Vôlei — o mesmo com quem Kaio anunciou que deve formar dobradinha nas eleições de 2026. 

A denúncia, segundo o próprio vereador, partiu dele “por questão de lisura e transparência”. A formalização do pedido de apuração foi publicada nas redes sociais do vereador, acompanhada de um print feito dentro de seu gabinete, como prova da iniciativa. “Fiz questão de denunciar ao Ministério Público, justamente para que se apure tudo com total transparência. Se houver algo errado, que seja punido. E se não houver, que fique claro que agimos corretamente”, afirmou. 

O episódio gerou perplexidade entre aliados e opositores, sobretudo porque o próprio vereador utilizou seu tempo de fala na Câmara para criticar o Jornal S’Passo, insinuando que o veículo havia publicado “falácias” ao noticiar o suposto superfaturamento. Na mesma publicação, Kaio reforçou que ele próprio participou da intermediação da emenda — o maior repasse da história de Itaúna, de cerca de R$ 6 milhões — e que não teme ser investigado. 

“Não temos medo de investigação. Muito pelo contrário. Quero que investigue, para que tudo seja esclarecido. Eu e o deputado Maurício não fazemos compras, nem direcionamos processos licitatórios. Acredito na lisura do que foi feito, acompanhei de perto e tenho toda a documentação no meu gabinete”, afirmou o parlamentar. 

Kaio sugeriu que o jornal que divulgou a denúncia também possa ser ouvido pelo MP: “Se o jornal sabe de tanta informação, seria interessante que também prestasse esclarecimentos”. 

Vale ressaltar, no entanto, que o acusado não é o Jornal S’Passo que cumpre seu papel de dar voz à comunidade e de trazer à tona notícias da cidade. O vereador também ignora a Lei N° 5.250, de 9 de fevereiro de 1967, que regula a liberdade de manifestação do pensamento e de informação. Seu artigo 7º deixa claro que “no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação não é permitido o anonimato. Será, no entanto, assegurado e respeitado o sigilo quanto às fontes ou origem de informações recebidas ou recolhidas por jornalistas, radiorrepórteres ou comentaristas”. 

Relembre o caso 

A polêmica teve início quando o Jornal S’Passo recebeu denúncia sobre suposto superfaturamento na compra de medicamentos para o município, custeada com recursos de aproximadamente R$ 1 milhão provenientes da emenda parlamentar de Maurício do Vôlei, articulada pelo vereador Kaio Honório. 

Segundo as informações, o deputado teria condicionado a liberação da verba à compra junto a uma empresa específica, o que levantou suspeitas de direcionamento. Após o repasse, os medicamentos teriam sido adquiridos com valores até 150% acima dos preços de mercado. 

O lote de medicamentos foi objeto de um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal, que autorizou a doação dos produtos a três instituições filantrópicas. Os medicamentos foram destinados à Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza, no valor de R$ 929.954,17, ao CRASI – Lar dos Idosos, que recebeu R$ 4.045,68, e à Fundação Frederico Ozanan, contemplada com R$ 36.279,25. Os valores foram calculados com base nas notas fiscais de entrada — justamente os mesmos que agora são alvo da suspeita de superfaturamento. 

Histórico de controvérsias 

Esta não é a primeira vez que Kaio Honório se vê no centro de uma polêmica e tenta se distanciar do problema. Em outro episódio recente, o vereador foi um dos principais articuladores da Marcha para Jesus, evento que contou com contratações de alto valor e é alvo de investigação por uma Comissão Especial da Câmara. 

Embora tenha sido o idealizador e um dos entusiastas da realização do evento, inclusive solicitando “toda a estrutura necessária e até algumas consideradas excessivas” ao poder público, Kaio se afastou da responsabilidade quando surgiram questionamentos sobre supostas irregularidades para execução do evento com recursos do poder público.

Gesto calculado ou ato de transparência? 

A denúncia feita ao Ministério Público ainda divide opiniões dentro e fora da Câmara. Para alguns, a atitude foi um gesto de coragem e transparência, digno de quem quer esclarecer os fatos. Para outros, trata-se de um movimento político calculado, para controlar os danos e manter o discurso de integridade por causa das eleições do próximo ano, nas quais Kaio Honório tem interesse de participar. 

“Itaúna observa, mais uma vez, o vereador Kaio Honório protagonizando um episódio que mistura denúncia, política e estratégia. E foi um ato foi de transparência ou de conveniência?, afirmou um colega de plenário do vereador.

Emplacando o nome de surpresa 

A primeira vez que a dobradinha entre Kaio Honório e Maurício para as próximas eleições se fez pública foi durante uma cerimônia simbólica de entrega da emenda no valor de R$ 6 milhões, realizada na Associação dos Aposentados de Itaúna. 

Na ocasião, Kaio Honório reuniu diversas autoridades municipais e regionais para a entrega de um “cheque simbólico”, em evento amplamente divulgado nas redes sociais. Entretanto, o que deveria ser uma solenidade institucional se transformou em um ato político, quando o vereador anunciou, de surpresa, sua pré-candidatura a deputado estadual, ao lado de Maurício do Vôlei — configurando ali a primeira aparição pública da “dobradinha” prevista para 2026. 

Nos bastidores, o clima foi de constrangimento. Muitas autoridades evitaram aparecer em fotos ou deixaram de repostar as imagens, temendo que a participação fosse interpretada como apoio político declarado a Kaio e Maurício. A iniciativa foi vista por parte do meio político como uma estratégia de autopromoção e captação antecipada de votos, já que o anúncio coincidiu com a chegada dos recursos — um ano antes do período eleitoral.