A sessão da Câmara trouxe à tona uma nova disputa política envolvendo a gestão municipal, o vereador Rosse Andrade (PL) e o líder do governo na Casa, vereador Léo Alves (Podemos). Em pauta, o Projeto de Lei que autoriza a abertura de crédito especial de até R$ 50 mil no orçamento, destinado ao reembolso de despesas com servidores efetivos cedidos por outros entes federativos — medida prevista na Lei Federal nº 4.320/64.
Embora o texto do Executivo seja técnico e trate de uma adequação orçamentária necessária — já que não existe dotação específica na LOA deste ano para este tipo de despesa — a discussão ganhou contornos políticos após Rosse afirmar, durante a votação, que a suplementação seria usada para pagar salários do assessor de gabinete Júlio Barata, supostamente cedido pelo Estado e remunerado em cerca de R$ 22.900,00 para atuar na Secretaria Municipal de Saúde.
A acusação de Rosse Andrade não é nova. Meses atrás, o vereador apresentou pedido de informação à Prefeitura após receber documento que mostrava o valor da remuneração de um servidor “cedido pelo Estado”, sem identificação nominal. Nas redes sociais, o parlamentar divulgou vídeo exibindo a folha de pagamento — o que reforçou o clima de suspeita e gerou repercussão pública.
Na ocasião, porém, a Prefeitura negou e o pagamento e, em nota, alegou que havia, de fato, um convênio firmado, mas que a negociação buscava uma cessão sem ônus para o município. A administração afirmou ainda que, diante da indefinição, o servidor foi devolvido em 18 de setembro, e que nem ele, nem o Estado, receberam qualquer valor de Itaúna.
Léo Alves reage e rebate
Durante a discussão do crédito especial, o líder do governo, vereador Léo Alves, desmontou a tese apresentada por Rosse. Segundo ele, a suplementação não tem qualquer relação com Júlio Barata e que o recurso é destinado ao reembolso pela cessão do secretário municipal de Saúde, Alan Rodrigo, que é servidor efetivo do Estado de Minas Gerais — situação completamente distinta da denunciada por Rosse.
Léo Alves argumentou que a fala do vereador oposicionista distorceu a finalidade do projeto. Para o líder governista, Rosse tenta “ressuscitar” uma denúncia já esclarecida para criar desgaste político, ignorando a técnica da proposta, que visa apenas regularizar contabilmente uma obrigação legal prevista tanto na Lei 4.320/64, quanto na Lei de Responsabilidade Fiscal.







