A postura adotada pela vereadora Márcia Cristina durante a reunião legislativa desta terça-feira (16), causou surpresa entre parlamentares e pessoas que acompanham os trabalhos na Câmara. Até então considerada um dos principais nomes de sustentação política do prefeito — com histórico de apoio irrestrito e participação ativa em suas campanhas eleitorais —, a vereadora adotou um discurso incomum, mais próximo do tom tradicionalmente utilizado por vereadores de oposição.
Quem assistiu à reunião estranhou as críticas direcionadas por Márcia à atual administração municipal, especialmente por partirem de uma parlamentar que, até recentemente, era vista como braço direito do Executivo. O tom destoou não apenas de sua atuação recente, mas também de sua trajetória política, marcada por embates duros contra gestões anteriores.
Durante sua fala, a vereadora chegou a comparar a atual condução administrativa com a gestão do ex-prefeito Neider Moreira — período no qual ela própria figurava como oposição ferrenha. Segundo Márcia, ao menos naquele governo, as emendas parlamentares eram efetivamente executadas, diferentemente do que ocorre agora.
A crítica mais contundente foi direcionada à Secretaria de Saúde. Márcia afirmou que grande parte das emendas impositivas de sua autoria, incluídas no orçamento de 2025 para a área da Saúde Pública, não foi executada. Para a vereadora, os recursos deixaram de ser utilizados por “falta de competência” e também por entraves burocráticos na aquisição de equipamentos e insumos.
Como exemplo, citou a compra de aparelhos de ar-condicionado adquiridos no início de 2024 que, segundo ela, permanecem até hoje sem instalação. Para a parlamentar, o problema evidencia falhas graves na gestão e no planejamento administrativo da pasta.
Ao final de sua manifestação, Márcia Cristina pediu diretamente ao líder do prefeito na Câmara que, no próximo ano, a Secretaria de Saúde passe a tratar com mais consideração os recursos destinados pelos vereadores por meio das emendas impositivas, ressaltando que tais valores têm origem no orçamento público e atendem demandas reais da população.
A mudança de discurso levanta questionamentos sobre o grau de alinhamento da vereadora com o Executivo e reforça sinais de desgaste na base governista, que até então se mostrava coesa. Se o posicionamento representa um episódio pontual ou o início de um reposicionamento político, ainda é cedo para afirmar — mas o recado, desta vez, foi dado pela parlamentar.







