A Escola Estadual de Itaúna, uma das edificações mais tradicionais da cidade e tombada como patrimônio histórico municipal, está no centro de uma polêmica envolvendo possíveis intervenções que podem ter comprometido a integridade arquitetônica do prédio. A denúncia foi encaminhada ao Jornal S’Passo por um grupo de pais, entre eles um arquiteto, que se disse preocupado com a preservação do bem público.
As obras, realizadas pela empresa OMADI, incluem reparos estruturais, pintura, adequações de acessibilidade, troca de telhas e luminárias, instalação de divisórias e sanitários, entre outras melhorias. Apesar das boas intenções de modernizar e garantir segurança ao prédio, os denunciantes alegam que parte das intervenções teria sido feita sem o devido respeito às normas de preservação patrimonial.
“Quando inscrevi meu filho na Escola Estadual de Itaúna, também foi pela importância histórica do espaço, que faz parte da identidade da cidade. Como arquiteto, vejo com preocupação a abertura de novas portas, a retirada de ladrilhos e a instalação de divisórias sem o aval técnico necessário. O prédio não é apenas um local de ensino, é um testemunho vivo da nossa memória”, afirmou um dos pais, que preferiu não se identificar.
Segundo documentos obtidos pela reportagem, o Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural de Itaúna (CODEMPACE), vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, já notificou a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais sobre o caso. A preocupação gira em torno do fato de que o tombamento municipal da escola não se restringe apenas à fachada, mas também abrange o bloco principal e o pátio interno.
O dossiê de tombamento enviado em 2023 ao Estado já destacava a necessidade expressa de submeter qualquer intervenção à análise prévia do conselho. Na ocasião, foram ressaltados no documento a importância de manter elementos originais, alertando para a descaracterização que já estaria em curso.
O Jornal S’Passo entrou em contato com o diretor da Escola, José Ronaldo de Oliveira, que afirmou não ter conhecimento ou ter recebido nenhuma denúncia de pais de alunos. “Não tenho conhecimento. Dentro do que já estava previsto aconteceu. Não houve alterações no patrimônio. Ao menos que não tenha conhecimento”, disse, recomendando o contato com a Secretaria de Estado da Educação.







