Sindicato dos Tecelões denuncia atraso de pagamento de acordo trabalhista da Santanense

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O Sindicato dos Tecelões de Itaúna voltou a cobrar uma posição da Companhia de Tecidos Santanense pelo atraso no pagamento da sétima parcela de um acordo trabalhista firmado com cerca de 180 ex-funcionários desligados da empresa no ano passado. 

De acordo com a advogada do sindicato, Sandra Regina de Paula Vítor, a parcela deveria ter sido quitada no dia 10 de julho, mas até o último dia do mês o valor não havia sido pago. O acordo, homologado na Vara do Trabalho de Itaúna, previa a quitação das verbas rescisórias em dez parcelas mensais. 

Segundo a advogada, nesse mês de julho era para ter sido paga a sétima parcela mas, até o presente momento, a empresa não efetuou esse pagamento. “O sindicato não concorda, em momento algum, com a posição da empresa de não fazer o pagamento da parcela até o dia 31 de julho, porque a data é todo dia 10 de cada mês. Nos meses anteriores também houve atraso, mas o acordo foi cumprido dentro do mês. Agora, em julho, eles informaram que não teriam condições de efetuar o pagamento da parcela até o último dia do mês”, completou. 

Empresa admite dificuldades financeiras

Em nota enviada ao Sindicato, a Santanense justificou o atraso alegando dificuldades no processo produtivo, que teriam comprometido o fluxo de caixa da companhia. A empresa prometeu apresentar uma nova previsão de pagamento até o próximo fim de semana. 

Desde junho de 2024, quando retomou as atividades em Itaúna, a companhia afirma ter mantido salários e benefícios dos atuais 650 colaboradores em dia, mesmo diante dos desafios financeiros enfrentados pelo Grupo Coteminas, controlador da marca, que está em recuperação judicial desde maio do ano passado. 

Sandra acredita que a aprovação do plano de recuperação judicial pode melhorar a situação. “A gente espera que esse plano seja aprovado, para trazer tranquilidade aos colaboradores que têm valores retroativos para receber”, afirmou. 

Entidade mantém pressão e orienta trabalhadores 

O Sindicato garantiu que continuará acompanhando os processos sem qualquer custo para os trabalhadores. “Estamos fazendo todo o possível para resolver a situação e todos os dias estamos na Superintendência do Trabalho, cobrando providências. Temos ligado para a diretoria da empresa e já estivemos lá várias vezes tentando solucionar a situação o mais rápido possível, porque sabemos que todos precisam receber”, destacou Sandra. 

A advogada também reforçou que tanto ex-funcionários quanto os atuais colaboradores podem procurar o Sindicato para esclarecimentos. “Já quero deixar registrado para todos os ex-colaboradores da Companhia de Tecidos Santanense, que ficaram com salário, ticket de refeição e leite atrasados, que o Sindicato entrou na condição de substituto processual para todos os trabalhadores, inclusive os que estão na ativa e todos os três processos já tramitaram em julgado. O Sindicato ganhou os três processos, inclusive em terceira instância. Agora eles já estão na Vara do Trabalho para cálculo e habilitação na recuperação judicial”, finalizou.