O mau cheiro provocado pelo esgoto despejado nos cursos d’água, problema que afeta diretamente bairros como Santanense, Parque Jardim, São Geraldo, Chácara do Quitão, Alaíta, Residencial Santanense, João Paulo II e adjacências é um problema recorrente denunciado pela população.
E a declaração do diretor do SAAE na Câmara, de que parte da rede rompeu devido a “ações da natureza com as últimas enchentes” e a “falhas humanas”, quando foram feitas obras de desassoreamento no leito dos rios foi motivo de uma série de cobranças na reunião da Câmara desta semana.

A fala mais contundente foi do vereador Rosse Andrade, ex-secretário de Infraestrutura, que trouxe revelações que mudaram e insuflaram o tom das cobranças. Como era secretário de infraestrutura quando das enchentes que destruíram parte dos emissários do projeto Somma, Rosse contou que “na época da calamidade pública que assolou a cidade com enchentes, fizemos levantamentos com a Defesa Civil e não contratamos nenhuma empresa para fazer o desassoreamento. O serviço foi executado pela Secretaria de Infraestrutura, que eu comandava. Apenas alugamos maquinário.”
Segundo Rosse, o SAAE deveria ter acompanhado as intervenções: “Toda ação foi feita junto com a Regulação Urbana e o Meio Ambiente. Era obrigação do SAAE acompanhar. Mas havia servidores incompetentes que não queriam trabalhar. Agora é fácil jogar a culpa em cima dos outros.”
O vereador também mandou um recado à gestão anterior da autarquia: “o problema foi a equipe do SAAE. Quem estava à frente deveria assumir. Hoje é fácil culpar quem não está mais lá. Precisamos apontar responsabilidades, mas não dá para colocar tudo na conta da Infraestrutura.”
O diretor do SAAE, Nilzon Borges, por sua vez, assegurou que existem laudos técnicos que apontam que os rompimentos ocorreram tanto em decorrência das enchentes, quanto por trabalhos realizados no desassoreamento.
“Não importa quem foi o culpado. O SAAE precisa dar uma solução. Vamos arcar com os custos, e, se a Prefeitura entender que deve acionar alguém judicialmente, que faça isso. Nossa meta é resolver o problema, não entrar em disputas.”
Segundo Nilzon, a autarquia planeja investir cerca de R$ 10 milhões para reconstruir toda a rede do projeto SOMMA, o que em média tem extensão de pouco mais de 10km, buscando recursos do Programa de Aceleração do Crescimento e verbas a fundo perdido, como já ocorreu em 2016 para obras da Estação de Tratamento de Esgoto. Caso não consiga, fará a obra com recursos próprios. “Já temos R$ 2 milhões reservados e vamos começar pelo ponto mais crítico, do bairro Santanense, até Avenida Jk. E na sequência seguiremos por toda a extensão até os outros bairros. Estamos fazendo uma licitação global, de uma empresa que pegue a execução da obra em conjunto com a compra dos materiais, de forma a agilizar o processo.”








