A Câmara viveu esta semana um episódio que expôs tensões e críticas ao ambiente político local. A ex-candidata a vereadora Ana Paula Silva, a “Paula Maju” que acompanha assiduamente as reuniões do Legislativo anunciou que se afasta temporariamente da tribuna e da galeria, denunciando constrangimentos e desrespeitos sofridos no local.
“Hoje será a minha última tribuna e a última vez que estarei presente nesta casa. Nem no meu ambiente doméstico, dentro da minha própria casa, passei por tantos desrespeitos, quanto passei aqui na Câmara”.
A ex-candidata relatou ter sido alvo de ameaças, humilhações e coações, e criticou a inércia de quem poderia intervir. “Fui acuada, ameaçada e ninguém fez nada. Vim como cidadã e, por sete meses, fui a única a acompanhar reuniões até nove horas da noite. Passei por constrangimentos que nem dentro de casa tive.”
Ela também questionou a postura da política local em relação às mulheres. “No dia 7 de agosto comemoramos dezenove anos da Lei Maria da Penha, e hoje, como mulher e cidadã itaunense, fiquei muito decepcionada. Achei que a política abraçaria e respeitaria a mulher. Mas encontrei justamente o contrário do que eu acreditava.”
A ex-candidata, mãe de dois filhos, enfatizou seu compromisso social e profissional, reforçando que não busca vitimização, mas exige respeito e justiça. “Não quero me colocar como uma mulher negra, vítima pela minha cor. As pessoas têm que ter respeito e empatia pelos outros, e achei que iria encontrar isso aqui. Saí daqui muito triste, mas tive que tomar medidas legais para me defender como mulher, cidadã e eleitora.”
Paula que teve apenas 18 votos na última eleição, também criticou o ambiente político na cidade. “Achei humilhante tudo que passei aqui. Fui candidata e me acusaram de ter sido laranja, mas a única coisa que ocorreu foi a empresa que pegou o serviço de divulgação da minha campanha não ter cumprido o compromisso e a prestação de serviço”, explicou.
“Esperava encontrar respeito, empatia e diálogo, mas só encontrei documentação de processos e provas que já estão nos meios legais. Quem vai resolver daqui para frente será o Ministério Público, junto com advogados orientados pela Polícia Militar e Polícia Civil e pelo próprio MP.”
Ao final, a ex-candidata fez um apelo à Comissão de Direitos da Mulher da Câmara: “peço atenção maior da comissão, porque nós, mulheres, que movimentamos e gerimos a vida, merecemos respeito. Infelizmente, saio daqui triste, mas precisava me defender.”







