A Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados recebeu delegação do Uruguai para uma missão técnica voltada ao aprofundamento do conhecimento sobre execução penal humanizada. A comitiva foi composta por Ana Claudia Juanche Molina, diretora do Instituto Nacional de Reabilitação, Ana Vigna Bejeréz, assessora do Ministro do Interior, e Wilson Brun, presidente da Prison Fellowship Uruguai.
O programa incluiu uma série de encontros estratégicos e visitas técnicas. A delegação foi recebida na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais e conheceu de perto a realidade de diferentes unidades do método, visitando as APACs Feminina de Belo Horizonte, Betim, das unidades Feminina e Masculina de Itaúna.
De acordo com Valdeci Ferreira, diretor do Centro Internacional de Estudos do Método APAC, os representantes uruguaios se mostraram impressionados com a forma como as APACs conciliam disciplina e respeito à dignidade humana.

“O que mais chamou a atenção da comitiva foi o tratamento extremamente respeitoso oferecido nas unidades. Eles ressaltaram a importância de não haver superlotação, o fato de cada recuperando ter sua própria cama e armário individualizado, bem como a qualidade da alimentação disponibilizada”, explicou. Ele destacou ainda que os visitantes reconheceram a relevância do apoio institucional recebido pelas APACs. “Ficou evidente para eles que o trabalho realizado não é isolado, mas fruto de um esforço conjunto, construído a muitas mãos, o que garante a solidez e a continuidade do Método APAC.”
O estreitamento de relações abre caminho para a expansão do modelo brasileiro no país vizinho. Segundo Dênio Marx, gerente de Relações Internacionais da FBAC, a missão técnica foi decisiva para esse processo.

“O Uruguai é um dos países latino-americanos que demonstraram interesse em conhecer a APAC e a visita possibilitou um diálogo aprofundado com autoridades para uma futura instalação de uma unidade lá. Os próximos passos incluem um estudo legal, análise das estruturas do sistema penitenciário para a implantação de um projeto-piloto, além de futuras visitas da FBAC ao país”, afirmou.
Para Marx, a cooperação não apenas contribui para o fortalecimento da política de segurança pública no Uruguai, mas também reforça a credibilidade da FBAC no cenário internacional. “Assim como já acontece em outros países, acreditamos que a parceria trará impactos diretos na melhoria dos serviços prestados, nos índices de ressocialização e na inserção social. Para o Brasil, esse processo fortalece ainda mais o movimento de internacionalização das APACs, mostrando a relevância e a consistência do método.”







