APAE integra rede municipal de ensino de Itaúna e vai receber subvenção mensal

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Itaúna deu um passo rumo à inclusão e ao fortalecimento da educação especial com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais passando a integrar oficialmente a rede municipal de ensino. A APAE vai receber subvenção social anual de R$ 370.800,00, repassados em 12 parcelas mensais de R$ 30.900,00.

“A partir de agora, Itaúna se compromete a ajudar mensalmente a fortalecer os serviços da APAE, essenciais para o desenvolvimento e inclusão de crianças e jovens especiais. Isso permitirá expandir o atendimento para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) até o nível 3 de suporte, oferecendo acompanhamento especializado e profissionais capacitados”, destacou o prefeito Gustavo Mitre durante a assinatura da lei. 

A mudança vai proporcionar condições para ampliação do atendimento de alunos matriculados na rede municipal de ensino, sem prejuízo de outras subvenções já destinadas à entidade e os recursos serão aplicados integralmente na área da educação especializada. 

Para a superintendente da APAE, Geórgia Stefânia Duarte Chaves Mendonça, a aprovação da subvenção representa um marco de valorização e reconhecimento do trabalho da instituição. “Esses recursos vêm em um momento muito importante para a APAE de Itaúna e vai ajudar a equilibrar um quadro histórico de subfinanciamento que a instituição vive há anos. Manter um serviço especializado exige uma equipe ampla e qualificada: diretora, vice-diretora, pedagoga, professores, monitores, cantineira, porteiro… e, além disso, nosso público tem necessidades complexas, que demandam acompanhamento quase individual. Então, quando colocamos tudo isso na ponta do lápis, percebemos que não se trata de ‘muito dinheiro’, mas sim de um investimento necessário para manter o atendimento com qualidade e dignidade”, explicou. 

Geórgia confirma que os R$ 370.800,00 anuais serão aplicados prioritariamente na contratação de professores, monitores e profissionais de apoio, além de custear despesas essenciais para o funcionamento da escola. “O objetivo é fortalecer a equipe pedagógica e garantir o suporte necessário aos alunos, que exigem acompanhamento contínuo e atenção individualizada”, ressaltou Geórgia. 

Com a nova lei, a APAE também se prepara para ampliar o número de alunos atendidos. “Já estamos em diálogo com a Secretaria Municipal de Educação e realizando as avaliações dos alunos encaminhados pelas escolas comuns. Esses estudantes são público-alvo da educação especial da APAE — pessoas com deficiência intelectual e múltipla, em grau moderado a severo, como alunos com TEA nível 3 de suporte. Aqueles que se enquadrarem nesse perfil serão inseridos gradativamente na escola. Então, haverá sim uma ampliação das vagas, beneficiando diretamente as famílias que aguardavam por esse atendimento especializado”, afirmou. 

Alívio para a entidade 

A dirigente reforça que o repasse representa um alívio importante, mas ainda não resolve todos os desafios enfrentados pela instituição. “A APAE atua em quatro grandes áreas: educação, saúde, assistência social e emprego apoiado. Cada uma delas possui custos altos e desafios próprios. Só na saúde, por exemplo, temos uma fila extensa de espera, principalmente de pessoas com autismo. Já o Centro-Dia, na assistência social, funciona praticamente sem recursos — com repasses mensais que não chegam a R$ 10 mil para manter uma equipe multiprofissional. Portanto, essa subvenção é um passo essencial na área da educação, mas ainda há muito a ser feito para equilibrar as outras frentes.” 

Segundo Geórgia, a parceria com o poder público tem sido cada vez mais sólida. “O diálogo que temos hoje com a Prefeitura e a Câmara é o mais sensível e construtivo que já vivenciamos. Em meus 15 anos de gestão, posso dizer que a administração do prefeito Gustavo Mitre tem se destacado pela sensibilidade, pela escuta e pela humanidade no trato com a causa da pessoa com deficiência. Essa subvenção é fruto de uma relação de respeito, diálogo e compromisso com a inclusão.” 

Com a ampliação do atendimento, a APAE também deverá contratar novos profissionais e realizar ajustes na estrutura física da escola. “A prioridade será garantir que o aumento no número de alunos não comprometa a qualidade do atendimento. O processo será feito de forma planejada e responsável, sempre respeitando os padrões técnicos e pedagógicos que a instituição mantém.” 

Fortalecimento da Educação Especial 

Para o futuro, a superintendente afirma que o foco é fortalecer o eixo da educação especial e ampliar o diálogo com outras áreas. “Na saúde, buscamos construir uma proposta conjunta que permita ampliar atendimentos e reduzir filas de espera, especialmente para pessoas com autismo e múltiplas deficiências. Na assistência social, estamos discutindo alternativas para sustentar o funcionamento do Centro-Dia, que atende pessoas com deficiência em processo de envelhecimento e hoje opera praticamente sem recursos. Além disso, seguimos fortalecendo o eixo do emprego apoiado, que já acompanha mais de 80 pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho.” 

Segundo a presidente da instituição, “a APAE é um patrimônio de Itaúna, construída ao longo de décadas com muito trabalho, amor e compromisso social. O apoio do poder público e da comunidade é o que torna possível continuar oferecendo atendimento especializado e humano a centenas de pessoas com deficiência e suas famílias. Manter esse apoio significa garantir direitos e oportunidades, fortalecer o vínculo entre a sociedade e a causa da inclusão e reafirmar que Itaúna é uma cidade que valoriza a vida em todas as suas formas.”