Prefeitura apresenta projeto piloto com caixas de detenção para reduzir alagamentos na Jove Soares 

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As águas da chuva voltaram a preocupar moradores e comerciantes da Avenida Jove Soares e, no último fim de semana, as fortes chuvas provocaram enchentes na Prainha, reacendendo memórias amargas de destruição e medo. Embora os danos desta vez tenham sido menores, o sentimento de insegurança permanece entre quem vive e trabalha no local. 

Logo na manhã de segunda-feira (3), equipes da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços e da Gerência de Trânsito estiveram na avenida para avaliar os impactos. Durante a vistoria, foram identificados pontos críticos, como a ruptura de tampas de bueiros e o desprendimento de um tampão de concreto. Trechos do asfalto, especialmente na Rua Antônio Corradi e no cruzamento com a Rua Mardoqueu Gonçalves, também precisaram de reparos imediatos devido à força da correnteza.

Apesar de o nível da água ter variado e, em alguns pontos, não ultrapassar o meio-fio, o episódio reacendeu o debate sobre as soluções definitivas para a região — um problema que há anos se repete com cada período chuvoso. 

Audiência pública na Câmara 

Na noite de quinta-feira (6), representantes da Prefeitura estiveram na Câmara para apresentar os avanços e estratégias de enfrentamento aos alagamentos. A audiência pública reuniu os vereadores Wenderson da Usina, Dalmo de Assis, Léo Alves, Israel Lúcio, Gustavo Dornas e Beto do Bandinho. 

Participaram da exposição o secretário de Infraestrutura, Alexsandro Mocks; a gerente de Projetos, Priscila; o tenente Rodrigo, da Defesa Civil; e o secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Gustavo Capanema. As equipes apresentaram dados, diagnósticos e ações já em andamento em diversos bairros da cidade. 

A Defesa Civil destacou o monitoramento constante das áreas de risco e o atendimento rápido a ocorrências de alagamentos e deslizamentos. O Meio Ambiente também detalhou as novas diretrizes de regulação urbana voltadas para a prevenção e o planejamento sustentável do crescimento da cidade. Já a Infraestrutura apresentou as intervenções realizadas nas redes de drenagem e as obras de recapeamento e manutenção em pontos críticos. 

Projeto piloto  

O anúncio mais importante da audiência foi o projeto piloto de implantação de caixas de detenção — uma solução técnica que promete reduzir de forma significativa o volume de água que desce das partes altas da cidade em direção à Avenida Jove Soares. A proposta busca reter parte da água da chuva ainda nos bairros superiores, diminuindo a intensidade das enxurradas e, consequentemente, os alagamentos na região central. 

Atualmente, a capacidade de drenagem da Jove Soares é de cerca de 30%. A topografia do terreno — em declive acentuado — faz com que a água chegue com grande velocidade ao córrego do Sumidouro, provocando transbordamentos frequentes. 

De acordo com o secretário Alexsandro Mocks, o novo modelo é mais viável e econômico do que o projeto anterior, que previa a construção de um segundo canal paralelo ao córrego e grandes bacias de contenção, com custo estimado em R$ 100 milhões. “Com as caixas de detenção, conseguiremos um resultado tão eficaz quanto, mas com custo até três vezes menor”, afirmou. 

A Prefeitura informou que o projeto está em fase de elaboração executiva e passará por análise técnica e ambiental, com acompanhamento da Defesa Civil. 

Situação em outros bairros 

Apesar dos transtornos na Prainha, a Prefeitura destacou que outras áreas historicamente afetadas tiveram melhor desempenho diante das chuvas. No bairro Alaita, próximo à Avenida JK, e nas regiões do Nova Vila Mozart, Cerqueira Lima e Itaunense, não foram registradas inundações significativas. 

Segundo a administração, isso se deve às obras de drenagem e à ampliação de captações pluviais realizadas nos últimos meses. “As enxurradas foram fortes, mas o volume de água foi contido. Os resultados mostram que as intervenções começam a dar retorno”, informou a nota oficial. 

Enquanto o poder público busca soluções técnicas, moradores seguem apreensivos. Para quem vive há décadas na Jove Soares, cada chuva forte ainda traz o mesmo temor: o de ver a água, mais uma vez, invadindo casas, lojas e memórias.