Coopert luta para se reerguer um ano após incêndio que destruiu galpões  

0
152

Separação de materiais recicláveis ainda está sendo feita de forma improvisada, a céu aberto, sob sol, chuva e poeira 

Um ano já se passou desde o incêndio que consumiu os galpões da Cooperativa de Reciclagem e Trabalho (Coopert), destruindo cerca de 20 hectares na região da Fazenda Três Barras. As chamas apagaram estruturas inteiras e reduziram maquinários essenciais a ferro retorcido. Mas não apagaram a necessidade — nem a esperança — das 86 famílias que dependem da reciclagem para sobreviver. 

Hoje, a separação dos materiais recicláveis está sendo feita de forma improvisada, a céu aberto, sob sol, chuva e poeira. É a rotina dura de quem tenta manter viva uma atividade que, além de garantir renda, presta um serviço ambiental indispensável à cidade. 

A tragédia deixou como consequência esteiras, prensas e todo o maquinário dos galpões perdidos. Um levantamento estimou em R$ 8 milhões o valor necessário para reconstruir o galpão, reverter os danos e adquirir novos equipamentos, além de restabelecer toda a infraestrutura elétrica e hidráulica. 

No início de janeiro, a diretoria da cooperativa informou que algumas emendas parlamentares destinadas no ano anterior não puderam ser acessadas devido a pendências documentais da Ascaruna — Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Itaúna — que precisava ser reconhecida como entidade de Utilidade Pública. 

Agora, de acordo com a fundadora da cooperativa, Maria Madalena Duarte, toda a documentação foi reorganizada e a Ascaruna já está apta a receber recursos. Nesta semana, ela ocupou a tribuna da Câmara, durante o momento de participação popular, e emocionou parlamentares e público ao pedir apoio financeiro para reconstruir a entidade. Lembrou que mais de 40 carrinheiros trabalham em parceria com a Coopert e que mais de 86 famílias têm sua sobrevivência diretamente ligada ao funcionamento da cooperativa. 

Madalena reforçou ainda que, apesar de haver um contrato de prestação de serviços firmado com o Município, ele não é suficiente para garantir a manutenção mínima das atividades. Afirmou que a cooperação do poder público é imprescindível para que o trabalho não seja interrompido. 

O presidente da Câmara, vereador Antônio de Miranda, destacou a urgência da situação e pediu que os parlamentares avaliem a possibilidade de remanejar parte de suas emendas para ajudar na reconstrução da Coopert, ressaltando a importância da cooperativa para o funcionamento da cidade. 

“Mesmo com todas as dificuldades, a cooperativa segue funcionando e sendo referência, mas basta a gente pensar que toda essa prestação de serviço pode acabar, que a cidade possa se transformar em um caos. Não é difícil pensar na destinação de emendas se pensarmos dessa forma”, afirmou, usando uma metáfora para sensibilizar os colegas. 

Entre os vereadores presentes, apenas Giordane Alberto (Republicanos), se manifestou publicamente em plenário, declarando que enviaria uma emenda, embora não tenha especificado o valor. Giordane é da mesma igreja que Madalena, mas, apesar da fala de apoio, nenhum outro parlamentar confirmou de imediato qualquer repasse. 

Em contato posterior com a reportagem, Madalena informou que diversos vereadores a procuraram demonstrando interesse em destinar emendas à cooperativa. No entanto, ressaltou que a Coopert só divulgará oficialmente esses apoios após a efetiva confirmação e envio dos recursos. 

Enquanto espera pelas promessas e pela solidariedade institucional, a cooperativa segue resistindo — entre ruínas, improvisos e a força de quem sabe que, se a reciclagem parar, a cidade inteira sentirá as consequências.