“Corredores da Morte” acumulam tragédias e comunidade cobra ações urgentes
Os chamados “corredores da morte” de Itaúna, expressão que infelizmente já se consolidou no vocabulário popular da cidade, voltaram ao centro do debate público esta semana após mais um episódio com vítima fatal. Em diversas avenidas que ligam bairros ao Centro ou a rodovias estaduais — e que concentram intenso fluxo de veículos pesados, carros, motocicletas, ciclistas e pedestres — o cenário se repete: excesso de velocidade, sinalização insuficiente, travessias arriscadas, histórico de acidentes e pedidos antigos por intervenções que não saem do papel.
Entre os corredores mais críticos estão a Avenida Governador Magalhães Pinto, a Avenida Albino Santos e a Avenida JK, todas em Santanense; a Avenida Manoel da Custódia, que corta cinco bairros; e a Avenida Dr. Miguel Augusto Gonçalves, na área do Hospital Manoel Gonçalves. Em comum, vias extensas, largas, urbanizadas, porém sem dispositivos eficazes de moderação de tráfego — um convite ao risco diário.
O tema ganhou dramaticidade e revolta nesta terça-feira, 18, quando uma idosa de 71 anos foi atropelada por uma motocicleta na Avenida Governador Magalhães Pinto, em Santanense. A vítima, identificada pelas iniciais M. C. S. R. — figura querida e ativa na comunidade católica — chegou a ser socorrida pela Unidade de Suporte Avançado do SAMU, mas morreu após dar entrada no Hospital Manoel Gonçalves.
Segundo o boletim da 9ª Companhia da Polícia Militar, o condutor da moto relatou que tentava frear quando a idosa iniciou a travessia da pista. No entanto, moradores e comerciantes contestam a versão e afirmam que o motociclista seguia em “altíssima velocidade”, fato que teria sido perceptível pelo estrondo do impacto. O piloto, de 27 anos, teve apenas escoriações leves e dispensou atendimento médico.
O atropelamento, registrado às 9h12, gerou indignação imediata entre moradores, lideranças e familiares. A comunidade denuncia que há aproximadamente dez anos solicita intervenções de segurança na avenida — como faixas elevadas, lombadas e reforço na sinalização — sem que nada tenha sido efetivamente implementado.
Só nos últimos cinco anos a Avenida Governador Magalhães Pinto registrou quatro mortes e ao menos 28 feridos em acidentes considerados graves. Diversos ofícios, abaixo-assinados e protocolos foram encaminhados à Prefeitura ao longo da última década, mas nenhum resultou em ações concretas.
Na quarta-feira, 19, durante a reinauguração da Unidade Básica de Saúde de Santanense, o líder comunitário Luiz Henrique Machado solicitou um minuto de silêncio em memória da vítima e cobrou, publicamente, medidas imediatas da Secretaria Municipal de Segurança Pública. Em resposta, o secretário Alexandre Barboza afirmou ao Jornal S’Passo que a pasta conclui um estudo técnico da via e que a instalação de dispositivos de redução de velocidade será adotada. Segundo ele, a região exige atenção máxima pela proximidade com escolas, creche, unidades de saúde e forte concentração comercial.
RETRANCA
Outro ponto crítico, Avenida Manoel da Custódia soma acidentes e mortes
Outro corredor que reforça o mapa da insegurança viária de Itaúna é a Avenida Manoel da Custódia — via longa, estratégica, que liga o Centro às regiões Oeste e Noroeste, cortando cinco bairros e concentrando fluxo diário de milhares de pessoas. Só em 2025, a avenida já contabiliza cerca de 35 acidentes, muitos deles envolvendo colisões laterais, atropelamentos e quedas de motociclistas.
O episódio mais violento do ano ocorreu na madrugada de 16 de junho, quando uma servidora pública da Secretaria Municipal de Cultura, de 27 anos, morreu após o veículo em que estava colidir lateralmente contra um poste de iluminação. A tragédia, que comoveu servidores públicos e toda a comunidade, reforçou a percepção de que o trecho se tornou um trajeto perigoso, especialmente no período noturno.
Moradores relatam que a combinação de curvas, excesso de velocidade, ausência de radar, má iluminação e travessias improvisadas cria um ambiente de risco constante. Aos fins de semana, a situação se agrava com o fluxo de jovens e trabalhadores que utilizam a via para acessar bairros e estabelecimentos comerciais.
Apesar dos números alarmantes e das sucessivas mortes, até agora não há anúncio de um pacote emergencial de intervenções. Lideranças comunitárias defendem a implantação de travessias elevadas, faixas de pedestres iluminadas, redutores de velocidade e fiscalização mais rígida para evitar que as vias continuem somando vítimas.







