Moradores do João Paulo II denunciam descarte irregular de entulho próximo a nascentes 

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Comunidade afirma que empresa teria usado nome da Prefeitura para justificar despejo em área ambientalmente sensível 

Moradores do bairro João Paulo II denunciaram nesta semana o descarte irregular de entulho realizado por uma empresa de coleta de entulho em uma área de preservação próxima a nascentes, ao lado de uma fabricante de cimento, na parte baixa do bairro. Segundo os relatos, um caminhão da empresa foi flagrado despejando resíduos no local e, ao ser questionado por moradores, o motorista teria afirmado “estar autorizado pela Prefeitura a fazer o descarte ali”. 

A alegação, no entanto, foi recebida com desconfiança pela comunidade. Um morador, que preferiu não se identificar por medo de retaliações, afirmou que a versão não condiz com o histórico recente da empresa. “É pouco provável que exista autorização, já que a empresa de caçambas teve suas atividades paralisadas pelo Ministério Público Ambiental por irregularidades no descarte de entulhos”, disse. 

De acordo com os moradores, a empresa estaria autorizada apenas a descartar a moagem dos entulhos — e somente dentro de seu próprio lote, localizado nos fundos da sede. Porém, segundo denúncias, a prática não vinha sendo cumprida. A reportagem esteve diversas vezes na área indicada e constatou a presença de materiais completamente inadequados, misturados ao entulho: pneus, restos de pisos, peças e equipamentos automotivos, entre outros resíduos potencialmente poluentes. 

A situação é ainda mais preocupante por se tratar de uma área sensível do ponto de vista ambiental. O despejo estaria ocorrendo ao lado de uma nascente e a poucos metros da Estação de Tratamento de Esgoto Compacta, recentemente reformada pelo SAAE. 

“Além de ver o meio ambiente sendo sufocado, ainda temos medo, pois o descarte é feito perto demais da nascente e da estação de tratamento. É um risco enorme. A gente fica até com receio de se identificar, porque o proprietário da empresa sempre foi muito hostil com os moradores”, relatou o morador. 

Pressão política e sensação de impunidade 

A comunidade afirma que o problema é antigo e que já foi tema de inúmeras denúncias ao MP e à imprensa, e que a sensação de impunidade só aumentou ao longo dos anos.

A população do João Paulo II cobra fiscalização efetiva e uma resposta oficial dos órgãos competentes. “Não aguentamos mais essa situação e esse descaso com nossa comunidade”, desabafa a vizinhança. 

Até o momento, não houve confirmação oficial por parte da Prefeitura sobre eventual autorização de descarte no local denunciado.