Procon orienta consumidores e alerta para golpes durante o período de promoções da Black Friday 

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A Black Friday começou oficialmente nesta sexta-feira, 28, e já movimenta intensamente o comércio de Itaúna. A data, uma das maiores campanhas de descontos do ano, tem ganhado cada vez mais força e, muitas lojas estendem as promoções até a primeira quinzena de dezembro, aproveitando o aumento do fluxo de clientes e a proximidade do Natal. Com o cenário de intensa procura, o Procon Municipal divulgou orientações para que os consumidores aproveitem as ofertas com segurança, evitando fraudes e garantindo seus direitos. 

Entre as principais recomendações estão as regras sobre arrependimento e trocas. Nas compras realizadas pela internet, telefone ou qualquer outro meio à distância, o consumidor tem até sete dias para desistir da aquisição, prazo que começa a contar a partir da assinatura do contrato ou do recebimento do produto. Em caso de cancelamento, o reembolso deve ser integral, incluindo o valor do frete. Nas lojas físicas, porém, o consumidor só tem direito à troca quando o produto apresentar defeito ou não corresponder ao adquirido. Para prevenir problemas, o Procon reforça a importância de exigir nota fiscal, guardar comprovantes de pagamento e registrar todas as informações relacionadas à compra. 

A chefe do Procon Itaúna, Lívia Pousa Pacheco, explica que o órgão tem acompanhado atentamente o movimento do comércio. Segundo ela, até o momento foram registradas 2.899 reclamações formalizadas neste ano, além de cinco denúncias recebidas por telefone e e-mail envolvendo cobrança de taxa no valor do Pix, problemas de precificação, aumento no preço da gasolina e produtos vencidos. Ela destaca que o número final de demandas resolvidas só poderá ser divulgado ao fim do exercício, quando o sistema oficial for encerrado. Sobre a expectativa para a Black Friday, Lívia afirma que os consumidores estão mais atentos do que em anos anteriores. “Os consumidores estão começando a ter consciência de consumo. No início da Black Friday, muitos acreditavam cegamente nas ofertas e pensavam estar fazendo bons negócios, mas muitas vezes eram enganados. Não é à toa que surgiu o termo ‘Black Fraude’. Hoje, com essas experiências, o consumidor está aprendendo a desconfiar”, afirma. 

Embora o pico de reclamações seja esperado apenas após o dia 28, Lívia informa que até o momento foi registrada apenas uma queixa por descumprimento de oferta. No mesmo período do ano passado, a maioria das reclamações envolvia atrasos na entrega e falta de estoque. Segundo ela, os principais golpes registrados na cidade durante o período são ligados ao comércio virtual, com ofertas suspeitas, sites falsos e links fraudulentos que direcionam o consumidor a páginas clonadas. Ela orienta que sinais como preços muito abaixo da média, falta de informações claras, erros de ortografia, pressão para conclusão imediata da compra e ausência de transparência são indícios fortes de risco. 

A chefe do Procon reforça que, para formalizar denúncias ou reclamações, o consumidor deve reunir o máximo de provas possível, como prints, fotos de ofertas, panfletos, nota fiscal e comprovantes de pagamento. Ela explica que o direito de arrependimento só é válido para compras realizadas fora de lojas físicas, e que nas compras presenciais o estabelecimento é obrigado a realizar trocas apenas quando há defeito, sendo responsabilidade da loja cumprir os prazos de entrega acordados.

Lívia também destaca que o comércio itaunense costuma seguir as regras da Black Friday, e que o Procon atua tanto na orientação de consumidores quanto de comerciantes. Quando uma irregularidade é constatada, o órgão primeiro busca esclarecimentos com a empresa e, se o problema for confirmado, solicita a correção e o ressarcimento ao consumidor, quando necessário. 

Com o aumento das promoções, que devem seguir até meados de dezembro no comércio itaunense, o Procon reforça que o consumidor deve agir com cautela, monitorar preços com antecedência, evitar compras por impulso, ficar atento a produtos descontinuados e sempre avaliar o custo total da compra, incluindo possíveis taxas e fretes. Além disso, a recomendação é evitar inserir dados pessoais em redes wi-fi públicas e desconfiar de e-mails ou mensagens de origem duvidosa. Para compras seguras, afirma Lívia, informação e atenção permanecem como os principais aliados do consumidor. 

As reclamações no Procon devem ser feitas presencialmente, na sede situada à Rua Péricles Gomide, 166, 2º andar, Centro (mesmo local do SINE), o atendimento funciona de e segunda a sexta-feira, das 09h às 16h e o telefone é o (37) 3249-9201. O reclamante deve apresentar documento pessoal, CPF, comprovante de endereço atualizado e dados do fornecedor, além das evidências da compra e dos registros de contato com a empresa. 

Maioria dos golpes acontece nas compras pela Internet

As promoções nos milhares de site da internet criam um ambiente de oportunidades, mas também de riscos, especialmente nesta época em que o volume de compras cresce e os golpistas se multiplicam. Segundo dados da Serasa Experian, somente em 2024 foram interceptadas 32,4 mil tentativas de fraude em compras online, com prejuízo estimado em milhões de reais, mostrando que, apesar da popularização das ofertas digitais, ainda há muita vulnerabilidade no consumo virtual. No ambiente online, onde se concentram os principais golpes, especialistas e órgãos de defesa do consumidor recomendam atenção redobrada.  

O Procon orienta que o consumidor verifique cuidadosamente os dados da loja antes de concluir qualquer compra, conferindo razão social, CNPJ e endereço físico, além de utilizar senhas fortes, recorrer a cartões virtuais sempre que disponíveis e registrar prints de anúncios, preços e condições de pagamento, já que esses registros podem ser fundamentais em caso de contestação futura. Segundo o órgão, a maior parte das fraudes ocorre por meio de sites clonados, links falsos enviados por e-mail ou redes sociais, anúncios enganosos e páginas de pagamento fraudulentas que desviam o valor para terceiros. As madrugadas costumam ser os horários preferidos dos golpistas, justamente por ser um período em que o fluxo de compras aumenta e o consumidor tende a agir por impulso. 

“Comprem em lojas físicas” 

Em Itaúna, comerciantes locais têm reforçado o alerta e incentivado a população a optar por compras presenciais. A comerciante Sílvia Rabelo, proprietária de uma loja de roupas, afirma que a segurança ainda é um dos maiores diferenciais das lojas físicas. Segundo ela, “quando o cliente entra aqui, ele vê o produto, pergunta, experimenta, esclarece dúvidas. Não tem o risco de cair em anúncio falso ou pagar por algo que não existe. A Black Friday na internet é tentadora, mas também perigosa”.  

Para José Carlos, lojista do setor de calçados, o momento exige cautela redobrada. Ele diz que muitos consumidores chegam à loja comentando sobre ofertas extremamente baixas vistas nas redes sociais, mas que grande parte desses anúncios não corresponde à realidade. “A gente aconselha sempre a pesquisar, ver se a empresa existe de verdade, ligar para o número informado, desconfiar de preços que fogem muito da média. E, quando possível, vir até o comércio da cidade, porque além de ser mais seguro, fortalece a economia local”, comenta.