Sem iluminação, trechos da MG 050 e da 431 que cortam Itaúna são cenários de acidentes toda semana
Políticos da região que fazem sucesso nas redes, têm sido criticados por “fecharem os olhos” e deixarem de cobrar melhorias nos trechos rodoviários que eles utilizam para chegar à capital
A cada acidente registrado nos trechos de acessos a Itaúna, uma sensação amarga se repete: a de que é preciso urgência para resolver o problema e que as tragédias já começam a ser tratadas como parte da rotina da cidade. Nos trevos da Santanense, Silva Jardim, Morro do Engenho e, mais recentemente, no trevo do Padre Eustáquio, o cair da tarde traz uma escuridão absoluta. Várias reportagens do Jornal S’Passo têm alertado sobre o abandono desses pontos que são fundamentais para o tráfego da cidade, registrando a crescente indignação de motoristas e pedestres que diariamente se arriscam nesses locais. Esta semana, diante do crescimento dos acidentes, o quadro chegou ao limite do aceitável.
Os sinais da falta de iluminação e dos consequentes acidentes estão em todos os trevos: fragmentos de lanternas, placas amassadas, muros riscados por colisões e barras de contenção retorcidas compõem a paisagem. Não é preciso ser especialista em trânsito para compreender o óbvio: a falta de iluminação agrava o risco em pontos naturalmente perigosos, marcados por tráfego intenso, conversões fechadas e alto fluxo de veículos pesados — paisagem que tende a piorar com a expansão do Novo Distrito Industrial.
O trevo da Santanense, principal ligação de quem chega de Divinópolis e rota diária de centenas de trabalhadores, é um exemplo do perigo que ronda quem circula pela MG 050. Estreito, mal sinalizado e completamente escuro, se tornou palco constante de colisões provocadas pela falta de visibilidade. Não há iluminação sequer para quem tenta acessar o bairro. Não é diferente na Silva Jardim ou no Morro do Engenho, onde a entrada e saída de veículos exige atenção redobrada.
O drama, porém, atinge níveis ainda mais graves no trevo principal da cidade. Em 2012, quando 82 postes e a rede de distribuição foram retirados por solicitação da concessionária AB Nascentes para execução da duplicação da MG-050, a expectativa era de que a iluminação retornasse após a conclusão das obras. Elas terminaram em setembro de 2014. Onze anos depois, o local permanece entregue à escutidão, sob o argumento de que nenhuma das partes — Município, DER, Cemig ou concessionária — é responsável pela reinstalação. Enquanto as instituições discutem competências, a população assume sozinha o ônus de circular pela via sem qualquer segurança.
Inúmeros acidentes
As consequências do abandono são evidentes e, nos últimos dias, saltaram novamente às páginas policiais. No último domingo, um acidente frontal no trevo do Padre Eustáquio provocou a morte de um motorista de 38 anos. O Fiat Palio que ele conduzia invadiu a contramão e colidiu com um Honda Civic que seguia pelo sentido Itaúna–Itatiaiuçu. Tanto a passageira do Pálio quanto o condutor do Civic foram socorridos em estado grave. O local, sem iluminação, dificultou inclusive a atuação das equipes de emergência. Mais uma vida perdida em um trecho onde a ausência de iluminação se soma à imprudência e transforma falhas humanas em tragédias fatais.
Horas antes, ainda na madrugada de domingo, outro acidente ocorreu no km 99 da MG-050. Um motociclista de 32 anos caiu ao perder o controle da direção em um trecho completamente escuro. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Em circunstâncias semelhantes, um motociclista de 59 anos ficou ferido ao colidir com um carro na MG-431, próximo ao trevo do Morro do Engenho, após fazer uma conversão sem visibilidade adequada. Os relatos têm sempre algo em comum: a escuridão compromete a percepção dos motoristas e multiplica erros que poderiam ser evitados.
A sucessão de ocorrências não parou por aí. No dia 24, uma carreta Iveco carregada com ferragens tombou no km 78 da MG-050 após formar um “L” e perder o controle direcional. O motorista caiu da cabine antes de o veículo despencar em um barranco. O trecho, mais uma vez, estava sem iluminação. Em outro episódio, um motociclista de 37 anos ficou gravemente ferido após colidir contra o “guardrail” ou estrutura metálica da estrada, no km 86 da MG-050.
Todos estes acidentes e muitos outros acontecidos nos últimos anos convergem para o fato de que Itaúna é cortada por trevos inseguros, principalmente por causa da falta de iluminação. Esta semana, devido aos inúmeros acidentes, internautas criticaram a falta de atitude para resolver os problemas. Na Câmara, o vereador Rosse Andrade (PL), criticou o “sumiço de políticos que vem à cidade somente para captar votos”. Segundo o vereador, Itaúna viver em completa escuridão e com trechos sem duplicação é um verdadeiro absurdo, já que na cidade vizinha foram eleitos um senador, dois deputados estaduais e um federal. “Todos eles utilizam as mesmas rodovias para chegar à capital e não é possível que não vejam a situação”, criticou.
Liberação da Cemig atrasa o funcionamento da Iluminação do trevo do Morro do Engenho
Questões burocráticas e técnicas da Cemig são o motivo de a iluminação do Morro do Engenho ainda não estar funcionando. Segundo informações da Comunicação oficial, as obras de instalação da iluminação no Trevo do Morro do Engenho já estão concluídas e o município aguarda exclusivamente a liberação do fornecimento de energia pela Cemig. Em nota, a prefeitura esclareceu ainda que esta etapa costuma demandar mais tempo por envolver procedimentos técnicos e prazos internos da empresa.
“O projeto de iluminação dos trevos segue o planejamento anunciado em setembro pelo prefeito, contemplando tanto o Trevo do Morro do Engenho, quanto o acesso da MG-050. A intervenção no Morro do Engenho foi a primeira a ser iniciada e já está integralmente pronta do ponto de vista estrutural. A Prefeitura reafirma o compromisso com a segurança viária e a mobilidade dos itaunenses e continuará acompanhando junto à Cemig para que a energização seja realizada o mais breve possível”, pontuou nota.






