Plano da de recuperação da Coteminas vai criar fundos de investimento para reestruturar Santanense 

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A assembleia geral de credores da Coteminas aprovou esta semana o plano de recuperação judicial das empresas do grupo, que prevê a criação de um fundo de investimento imobiliário e um fundo de investimento em direitos creditórios, a venda de seis imóveis industriais e o pagamento escalonado de credores de quatro classes diferentes.​ Esses instrumentos passam a ser o foco para, entre outras decisões, abrir caminho para a reorganização produtiva da Fábrica de Tecidos Santanense e das demais empresas do conglomerado. 

Diferentemente do anunciado anteriormente, o grupo encontrou uma forma simplificada de reestruturação do conglomerado sem que seja necessária a venda direta de imóveis. O fundo de investimento imobiliário — modalidade escolhida — funciona como um veículo coletivo que reúne imóveis em um patrimônio separado, dividido em cotas. Essas cotas podem ser negociadas e utilizadas como forma de pagamento ou captação de recursos, sem a necessidade de venda imediata e direta dos bens. 

O fundo de investimento imobiliário permite que ativos industriais hoje imobilizados sejam organizados, avaliados e alienados de maneira estruturada, preservando valor e ampliando as chances de satisfação dos credores. Para a Santanense e o grupo como um todo, o mecanismo busca transformar imóveis industriais em uma alavanca para reorganizar dívidas, evitar liquidações forçadas e criar condições para uma retomada sustentável das atividades. O fundo imobiliário será composto por seis classes, cada uma formada por ativos localizados em Itaúna, Macaíba, Pará de Minas, Montes Claros, Campina Grande e João Pessoa. Já o fundo de direitos creditórios reunirá créditos quirografários, permitindo que credores optem por converter seus valores em cotas, participando dos resultados futuros. 

O processo envolve dez empresas do grupo, entre elas Coteminas S.A., Companhia Tecidos Santanense, Santanense Empreendimentos Imobiliários, Ammo Varejo e Springs Global Participações 2. O plano estabelece prazo de até 12 meses, prorrogável uma única vez, para a efetiva constituição do fundo imobiliário. Caso isso não ocorra, as empresas ficam obrigadas a promover a venda alternativa dos imóveis por meio de processo competitivo. 

Os trabalhadores terão seus créditos pagos integralmente, dentro do limite legal, em até três anos após a homologação, com possibilidade de antecipação a partir da venda de bens e equipamentos. Credores com garantia real e quirografários poderão escolher entre diferentes modalidades de pagamento, que variam entre recebimento de cotas, liquidação parcial antecipada ou pagamentos de longo prazo, conforme a opção formalizada após a homologação. 

Diversos adiamentos

A aprovação do plano, no entanto, foi precedida por uma longa sequência de adiamentos. A assembleia geral de credores, inicialmente marcada como decisiva para o dia 5 de dezembro, acabou sendo novamente postergada após pedido da companhia, acolhido pela Justiça. Nos autos, a Coteminas alegou a necessidade de garantir um “ambiente estável” para concluir negociações sensíveis. O juiz Murilo Sílvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, autorizou a suspensão, mas fixou prazo final para a retomada das deliberações. 

Somente nesta terça-feira (16) os credores finalmente analisaram e votaram o plano de recuperação judicial, em uma assembleia virtual que se estendeu por mais de quatro horas e foi marcada por alterações de última hora no texto. A reunião deu continuidade à segunda convocação, aberta em 26 de junho, e reuniu 2.875 credores distribuídos em quatro classes. 

Maior recuperação do País

Considerada uma das maiores recuperações judiciais em curso no país, com passivo superior a R$ 2 bilhões, a reestruturação do Grupo Coteminas — controlador também da tradicional Fábrica de Tecidos Santanense — é conduzida pelos escritórios TWK Advogados e Bernardo Bicalho Advogados, especializados em insolvência empresarial. Com a aprovação, a expectativa agora recai sobre a implementação prática do modelo, que aposta na engenharia financeira dos fundos como caminho para equacionar dívidas bilionárias, preservar ativos industriais e tentar garantir a sobrevivência de um dos mais tradicionais grupos têxteis do país.