Apagões na zona rural se repetem e moradores cobram solução definitiva da CEMIG 

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As constantes quedas de energia na zona rural de Itaúna voltaram a gerar revolta entre moradores e já motivaram, mais uma vez, o acionamento da Polícia Militar. Desta vez, a ocorrência foi registrada na comunidade de Fundão, após solicitação do grupo Vizinhos Protegidos, que denunciou a repetição de apagões e os prejuízos acumulados nas propriedades da região. 

Segundo relatos colhidos pelos militares, as interrupções no fornecimento têm provocado danos a eletrodomésticos, perda de alimentos perecíveis, paralisação de atividades produtivas e até dificuldades no abastecimento de água, já que muitas residências dependem de bombas elétricas para captação. Moradores também afirmam que, durante os períodos sem energia, sistemas de comunicação ficam comprometidos, dificultando o acionamento de serviços de emergência. 

Em nota, a Companhia Energética de Minas Gerais informou que irá verificar o histórico de fornecimento na localidade e avaliar se há falhas recorrentes. A concessionária declarou ainda que, caso seja identificado problema crônico na região, adotará providências para regularizar o serviço. 

Reclamações não são novidade

O episódio na comunidade do Fundão, entretanto, está longe de ser isolado. Nos últimos anos, diferentes comunidades rurais de Itaúna vêm relatando dificuldades semelhantes. Uma das denúncias mais contundentes ocorreu na comunidade de Retiro dos Farias, quando a presidente da associação local, Marli Oliveira Dionísio, utilizou a tribuna da Câmara Municipal para cobrar providências urgentes. 

Na ocasião, Marli descreveu um cenário de prejuízos sucessivos. Segundo ela, a comunidade chegou a permanecer três dias consecutivos sem energia elétrica. Produtores relataram perdas significativas: mais de mil litros de leite e grande quantidade de queijos descartados por falta de refrigeração; criação de peixes comprometida pela interrupção do sistema de oxigenação; além da queima de eletrodomésticos causada por picos de energia. A própria líder comunitária afirmou ter perdido alimentos armazenados em freezers. 

A dirigente também questionou a atuação de empresas terceirizadas responsáveis pela manutenção e poda de árvores próximas à rede elétrica, apontando possível deficiência nos serviços preventivos. 

RETRANCA 

Expansão industrial dentre

os motivos de sobrecarga da rede 

Entre moradores e produtores, cresce a percepção de que a infraestrutura elétrica da zona rural pode não estar suportando a demanda. Nos últimos anos, diversas atividades empresariais passaram a se instalar ou ampliar operações fora do perímetro urbano, incluindo olarias, siderúrgicas, empresas de recicláveis e mineradoras. 

A principal suspeita levantada por lideranças comunitárias é de que o aumento no consumo de energia, impulsionado por essas atividades industriais, esteja sobrecarregando a rede rural — originalmente dimensionada para atender basicamente propriedades agrícolas e residências. 

Embora não haja, até o momento, confirmação técnica oficial sobre essa hipótese, o argumento tem sido recorrente em reuniões comunitárias e audiências públicas. 

Câmara já se posicionou 

O problema também chegou ao Legislativo. Ano passado, vereadores aprovaram moções de apelo e de repúdio direcionadas à Cemig, cobrando melhorias no atendimento e investimentos na infraestrutura elétrica das comunidades rurais. Apesar das manifestações formais da Câmara, moradores afirmam que os episódios continuam se repetindo. 

A insatisfação é generalizada. “Parece que estamos voltando no tempo”, desabafou uma liderança rural em reunião recente, ao comparar a atual situação com o período anterior à chegada da energia elétrica nas comunidades. 

Enquanto aguardam uma solução definitiva, produtores temem novos prejuízos e reforçam que a instabilidade no fornecimento compromete não apenas o conforto das famílias, mas também a economia rural do município.