O Carnaval de Itaúna movimentou a cidade, mas também foi marcado por críticas e polêmicas que repercutiram nas ruas e nas redes sociais. O tradicional Itaúna Folia, realizado no circuito da Avenida Jove Soares e nos bairros, reuniu muitos foliões ao longo da programação e contou com 21 blocos participantes, divididos entre o circuito oficial e as agremiações de bairro.
No circuito oficial, a média foi de aproximadamente 6 mil pessoas por dia. Embora significativo, o número ficou abaixo dos anos anteriores, quando o público chegou a variar entre 10 mil e 15 mil pessoas por dia na avenida. Para organizadores e foliões ouvidos pela reportagem, a redução demonstra o descontentamento com o horário adotado, especialmente pelo início antecipado das atividades às 11h e o encerramento obrigatório às 22h.
Já nos bairros, o destaque absoluto ficou para o tradicional Bloco Pau de Gaiola, que arrastou cerca de 10 mil pessoas. O Bloco Baballo levou 2.500 foliões, enquanto o Esplendor e Glória reuniu 2 mil participantes e o Bloco da Pracinha atraiu 1.500 pessoas. O Batuca Trem contou com 800 foliões. Entre os menores, o Bloco Boca de Sanfona registrou 250 pessoas, Margaridas do Verduro 200, Bloco dos Calangos 150, Bloco das Virgens 100 e Gaiola das Popozudas também 100 participantes.
Nos bairros, foram 10 agremiações: Calangos, Virgens, Baballo, Pau de Gaiola, Gaiola das Popozudas, Boca de Sanfona, Batuca Trem, Bloco da Pracinha, Esplendor e Glória e Margaridas do Verduro. Já no circuito oficial desfilaram 11 blocos: Bloco da Beija, Bloco CCI, Losanguinhos, Bloco da Bia, Bloco Bicho Papão, Pixurucos, Allfaces, Sertanejeiros, Unidos da Ponte, Vem que Vem e Deu no que Deu.
Horário desagradou
Apesar dos pontos positivos, o horário adotado para a programação foi o principal foco de críticas. Com início por volta das 11h, a festa diurna não atraiu o público esperado na avenida. Bandas que se apresentaram durante o dia tocaram para plateias reduzidas, com exceção das agremiações infantis Bloco da Bia e Bicho Papão, que conseguiram boa adesão. O desfile dos blocos, previsto para começar às 17h, chegou a atrasar em média 1h30 devido à ausência de foliões atrás dos trios elétricos.
A determinação para encerrar as atividades às 22h também gerou insatisfação. Ambulantes e comerciantes credenciados criticaram o fechamento antecipado das vendas de alimentos e bebidas após o cordão de isolamento da Polícia Militar. Presidentes de blocos relataram a queda no público em comparação a anos anteriores.
PM recomendou o horário
Fontes ouvidas pela reportagem indicam que a recomendação de encerrar o Carnaval mais cedo partiu da 9ª Companhia Independente de Polícia Militar, que teria seguido orientação normativa do comando geral do Estado, baseada em estudos que apontam maior propensão a ocorrências graves após as 22h.
No entanto, a justificativa gerou questionamentos. Em cidades como Belo Horizonte, a programação avançou pela madrugada. Em Itatiaiuçu, município vizinho e também sob a área de atuação da companhia da PM de Itaúna, houve shows iniciados às 23h. Em outras cidades de Minas Gerais, apresentações começaram às 22h ou 23h30 e se estenderam durante a noite.
Nas redes sociais, parte da população chegou a afirmar que o Carnaval de Itaúna estaria sendo “sabotado institucionalmente”. Outra polêmica envolveu exigências do Corpo de Bombeiros, que cancelou de última hora a Declaração de Evento do tradicional Pau de Gaiola, que rapidamente foi refeita, e interditou o palco do circuito por proximidade com rede elétrica, gerando tensão entre organizadores e autoridades.
Também houve manifestações contrárias à realização do evento na Avenida Jove Soares por parte de líderes religiosos da Igreja Batista Betel e de, além de alguns comerciantes da região.







