Jovem denuncia possível privatização da Cachoeira do Moonlight e alerta para bloqueio de acesso da população 

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Fotos: Adilson Nogueira

A situação da Cachoeira do Moonlight dominou o discurso do jovem Hércules Vinícius dos Santos Oliveira na tribuna da Câmara, nesta semana. Em uma fala marcada por críticas e cobranças, ele alertou para o risco de perda de um dos principais pontos naturais da cidade, destacando preocupações com a possível privatização da área, a falta de transparência e a ausência de políticas públicas voltadas à preservação ambiental. 

Segundo Hércules, a cachoeira — amplamente conhecida pela população e citada como ponto turístico inclusive em plataformas digitais e por estabelecimentos da rede hoteleira — estaria passando por um processo de restrição de acesso, após mudanças na titularidade de áreas próximas. Ele relatou que o local, que por anos foi frequentado livremente por moradores, pode deixar de cumprir sua função social e ambiental. 

O jovem questionou, sobretudo, a falta de clareza por parte do poder público sobre o futuro da área. De acordo com ele, diferentes pedidos de informação enviados à Prefeitura por meio dos Deputados Duda Salabert, Lohanna França e Mauro Tramonte teriam recebido respostas divergentes, incluindo menções a projetos como implantação de usina hidrelétrica, sem que haja, segundo afirmou, estudos ambientais apresentados oficialmente. 

Outro ponto levantado foi a possível existência de áreas de preservação permanente no entorno da cachoeira. Hércules destacou que a região abriga nascentes e cursos d’água, o que, pela legislação ambiental, exigiria proteção especial e limitaria intervenções. Ainda assim, ele afirma que há movimentações para empreendimentos no local, o que, na avaliação dele, deveria ser amplamente debatido com a sociedade. 

“A gente está falando de um espaço de interesse público, que já serviu à população por anos e que precisa ser tratado com responsabilidade. Não pode simplesmente ser fechado ou transformado sem discussão”, declarou durante a tribuna. 

Hércules também associou a importância da cachoeira a questões de segurança ambiental, citando episódios de chuvas intensas no município e a necessidade de áreas estratégicas para o escoamento de água em situações emergenciais. Para ele, o local poderia cumprir papel relevante nesse contexto, o que reforça a necessidade de estudos técnicos e planejamento. 

Além das críticas, o jovem destacou a mobilização popular em torno do tema. Um abaixo-assinado já reúne mais de 700 assinaturas solicitando a realização de uma audiência pública para discutir o futuro da Cachoeira do Moonlight. O objetivo, segundo ele, é garantir transparência, participação popular e a preservação do espaço. 

Ele também mencionou a atuação de um grupo voluntário, denominado “Amigos da Cachoeira”, ativo há mais de sete anos, que realiza ações de limpeza e conservação na área, sem apoio do poder público. 

Ao final, Hércules fez um apelo aos vereadores para que assumam protagonismo na discussão e busquem soluções que garantam tanto a preservação ambiental quanto o acesso da população. “A cachoeira é um patrimônio da cidade. O que está em jogo não é só um espaço físico, mas o direito coletivo ao meio ambiente e ao lazer”, concluiu.