Contrato renovado dá fôlego à Coopert, mas desafios estruturais e operacionais continuam

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A Cooperativa de Trabalho de Reciclagem Ltda (COOPERT), responsável por parte essencial da coleta seletiva em Itaúna, teve seu contrato renovado por mais seis meses. O termo aditivo prevê investimento de R$ 1.383.976,92 até o início de novembro — medida que, na prática, garante a continuidade das atividades da cooperativa no curto prazo.

A renovação surge como um alívio para os cerca de 70 cooperados que dependem diretamente do trabalho de triagem e destinação de resíduos recicláveis. Em meio a um cenário de dificuldades, o novo prazo representa um “respiro” financeiro e operacional, permitindo a manutenção dos serviços enquanto soluções mais estruturais ainda não se concretizam.

Desafios diários

Apesar do reforço contratual, a realidade enfrentada pela COOPERT está longe de ser confortável. Há mais de um ano, um incêndio de grandes proporções destruiu galpões e equipamentos que são importantes para o funcionamento da cooperativa. Desde então, a triagem dos resíduos vem sendo realizada de forma improvisada, muitas vezes a céu aberto, expondo trabalhadores ao sol, chuva, poeira e condições insalubres.

Sem maquinário adequado, o processo de separação passou a ser praticamente manual, reduzindo drasticamente a capacidade de processamento dos materiais recicláveis. O acúmulo de resíduos e a presença de roedores também têm gerado preocupação constante entre os cooperados.

Em reportagem recente, a situação foi classificada como crítica, com relatos de sobrecarga operacional e riscos sanitários. Na ocasião, foi cogitado que a morte de um trabalhador estaria ligada à leptospirose — hipótese posteriormente descartada após exames laboratoriais.

Teste de sobrevivência

Se por um lado a renovação garante a continuidade do contrato, por outro, o prazo de seis meses também é visto como um período de avaliação. Na prática, o novo termo pode funcionar como um teste para a capacidade da cooperativa de manter a prestação do serviço diante das limitações atuais.

Nos últimos meses, moradores de diferentes regiões da cidade têm relatado falhas na coleta seletiva e reclamações frequentes apontam que o caminhão responsável pelo recolhimento do lixo seco não tem passado em algumas comunidades, comprometendo a logística e a confiança da população no sistema.

Outro fator que agrava a situação é a forma inadequada como parte dos resíduos vem sendo descartada. Materiais recicláveis misturados com lixo orgânico ou molhado dificultam ainda mais o trabalho de triagem e aumentam o volume de rejeitos.

Necessidade de soluções

Mesmo diante das adversidades, a COOPERT segue operando e garantindo renda para dezenas de famílias, além de prestar um serviço ambiental estratégico para o município. A continuidade do contrato evita uma ruptura imediata, mas não resolve os problemas estruturais acumulados desde o incêndio.

Recentemente, uma força-tarefa envolvendo o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), a Prefeitura e parceiros da iniciativa privada promoveu a limpeza do pátio da cooperativa, amenizando parte dos impactos do acúmulo de resíduos. Ainda assim, os desafios permanecem.

A renovação contratual está sendo vista como uma nova perspectiva e um alívio temporário que mantém a cooperativa em funcionamento; porém, é também a oportunidade de a Prefeitura pressionar por resultados e melhorias em um prazo relativamente curto.

O futuro da COOPERT, ao que tudo indica, dependerá não apenas da manutenção dos repasses, mas da implementação de soluções concretas que garantam estrutura, eficiência e condições dignas de trabalho aos cooperados — além da regularização plena do serviço prestado à população.