Com presença ativa de empresários e representantes de Itaúna, a 8ª edição do Imersão Indústria, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), colocou em pauta um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico do país: o chamado Custo Brasil. Realizado no BH Shopping, o encontro encerrou na quinta-feira (24) reunindo especialistas de projeção nacional, com apoio direto de empresas itaunenses, como a Herculano Mineração, a J. Mendes e outras organizações.
O tema central do evento gira em torno do impacto do Custo Brasil, estimado em cerca de R$ 1,7 trilhão ao ano — valor que corresponde a aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse conjunto de fatores, que inclui burocracia, carga tributária e entraves regulatórios, tem reflexo direto na competitividade, na produtividade e na capacidade de crescimento das empresas brasileiras.
A abertura contou com a participação de lideranças empresariais de Itaúna, evidenciando o protagonismo local nas discussões industriais do estado. Entre os palestrantes, nomes como o cientista político Professor HOC, o economista Ricardo Amorim e a jornalista Fabiana Berttotti contribuíram com análises sobre o cenário nacional.
Um dos destaques foi a participação do comentarista político e economista Caio Coppolla, que apresentou uma leitura crítica sobre o Brasil até 2026. Ele apontou um ambiente marcado por incertezas econômicas, políticas e sociais, além de chamar atenção para temas sensíveis como segurança pública, queda no consumo e aumento do endividamento das famílias.
No campo fiscal, o alerta foi direto: “Em 2027, seja quem for o presidente, não governa com essas regras fiscais sem gerar dívida pública, inflação e detonar a economia”, afirmou.
Para ele, momentos de crise costumam ser catalisadores de mudanças estruturais. “Somente uma crise produz uma mudança real, quando o politicamente impossível se torna politicamente inevitável”, completou.
Ainda durante sua análise, Coppolla abordou o cenário político-eleitoral, destacando mudanças no perfil ideológico do eleitorado, especialmente entre os mais jovens, além do avanço de determinados grupos em eleições municipais.
Outro ponto relevante do evento foi a apresentação do economista-chefe da Fiemg, João Pio, que detalhou o Indicador de Impacto Normativo no Custo Brasil (IIN-CB). A ferramenta inédita foi desenvolvida para medir os efeitos de leis e normas sobre o ambiente produtivo nacional.
O levantamento analisou 45 normas entre 2023 e 2025, com base em 12 eixos que compõem o Custo Brasil, combinando critérios qualitativos e financeiros. O resultado aponta um impacto líquido negativo, com aumento estimado de cerca de R$ 147 bilhões nos custos relacionados à produção, geração de empregos e investimentos.
De acordo com o estudo, os efeitos mais prejudiciais estão concentrados nos eixos ligados à carga tributária e ao ambiente jurídico-regulatório, reforçando a necessidade de maior atenção às políticas públicas voltadas ao setor produtivo.







