A sessão da Câmara nesta semana foi marcada por um tom incomum — e contundente. Vereadores da base do governo, que são aliados do prefeito Gustavo Mitres, protagonizaram uma série de críticas duras à Secretaria Municipal de Saúde, revelando um cenário de insatisfação crescente nos bastidores.
O chamado “fogo amigo” escancarou problemas que vão desde a falta de insumos básicos até a demora em respostas e o não atendimento de indicações parlamentares. Nos corredores da Câmara, a leitura é de que as críticas têm origem no acúmulo de demandas ignoradas pela pasta, além de respostas consideradas insuficientes aos pedidos de informação feitos pelos vereadores.
O vereador Alexandre Campos cobrou prioridade na destinação de recursos ao Hospital Manoel Gonçalves, questionando o que classificou como tratamento desigual por parte da administração. “A prefeitura está justificando a ausência de um repasse do duodécimo, em vista de ser ano eleitoral, mas a gente sabe que o trabalho do Hospital é contínuo. A lei eleitoral não proíbe esse repasse”, afirmou.
Ele comparou a liberação de verbas para outras entidades: “Hoje nós aprovamos um projeto mandando dinheiro para a Associação Microrregional dos Municípios do Médio Centro-Oeste – AMMECO. Então o que a gente pode demonstrar? Para a AMMECO o dinheiro está liberado, mas para o Hospital não? Está ocorrendo dois pesos e duas medidas,” questionou.
Na mesma linha crítica, o vereador Da Lua expôs falhas graves no atendimento oftalmológico e na rede laboratorial do município. “Não está tendo consulta, não está tendo colírio, e sabe por que não tem? Deixaram vencer o contrato da empresa”, disse. Apesar de mencionar a previsão de retomada parcial dos atendimentos, ele não poupou críticas: “Não podia ter deixado vencer o contrato”. Sobre exames laboratoriais, o parlamentar foi ainda mais incisivo: “O diagnóstico da nossa saúde é preocupante. Confirmaram a suspensão de exames por falta de materiais básicos. Como deixam faltar insumo num exame básico, um exame de sangue?”.
O parlamentar também reforçou o desconforto dentro da base governista. “A gente está do lado da administração, mas também tem que defender a população. Enquanto eu estiver aqui, eu vou defender”, declarou.
Já o vereador Lacimar “O Três”, da oposição, direcionou críticas ao problema da fila para aparelhos auditivos, relatando cobranças diretas da população. “A fila não está andando. Fui procurado pelo marido de uma cidadã que está com problemas de audição e há um ano sem o aparelho”.
Mas foi a vereadora Márcia Cristina, integrante da base e aliada próxima do prefeito, quem elevou o tom ao máximo. Em um discurso contundente, ela denunciou a falta de prioridade da gestão e classificou a situação como “vergonhosa”. “Agora eu estou cobrando aqui e anotando a data para cobrar novamente”, criticou, ao relatar a demora na manutenção de uma ambulância parada desde o ano passado na Secretaria de Infraestrutura. “Sabem qual a resposta que eu tive? Existem vários outros veículos com prioridade de manutenção, e que aquele não era prioridade! Qual que é a prioridade de arrumar um veículo da saúde que está parado? Existe prioridade maior do que atender paciente doente?”, questionou.
Surto de Dengue
A vereadora também alertou para o risco iminente de colapso no atendimento diante do avanço da dengue. “Hoje a gente tem 22 agentes de endemias para cuidar da cidade inteira. Eles não dão conta. A dengue está batendo na porta e daqui alguns dias, o Hospital estará superlotado e terá que abrir diversas unidades de Saúde para dar conta de atender”, disse.
Segundo ela, a falta de gestão administrativa agrava ainda mais o cenário: “O maior problema, é que o recurso para a contratação de agentes de endemias não vem dos cofres do município, é um recurso Federal. “E não contrataram até agora porque a Saúde não dá conta de fazer processo seletivo, não dá conta de contratar, não dá conta de comprar. É por isso que as coisas não estão funcionando”.
Em tom ainda mais crítico, Márcia resumiu o sentimento de frustração generalizada: “A gente fala, reclama e fala que eles estão todos mortos na Secretaria e eles acham ruim. Mas está tudo aí: laboratório sem material, aparelho auditivo sem solução, falta de profissionais. É um absurdo, é uma vergonha mesmo”.
O volume e a intensidade das críticas evidenciam uma crise que vai além da oposição e atinge diretamente a sustentação política do governo dentro do Legislativo. A insatisfação dos vereadores da base expõe fragilidades na condução da saúde municipal e acende um alerta sobre a capacidade de resposta da gestão diante de problemas considerados básicos — e urgentes.
Início Câmara Municipal Duras críticas: base aliada contra Saúde e expõe falta de insumos, exames e especialistas







