Deputada cobra apuração rigorosa após pacientes receberem água no lugar de vacina 

0
105

A deputada estadual Lohanna França (PV), acionou os órgãos de fiscalização e controle para investigar o caso envolvendo a aplicação de água destilada no lugar da vacina contra a gripe em 42 pacientes de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas. O episódio ocorreu durante uma ação de vacinação domiciliar realizada pelo PSF Aparecida dos Açudes, ligado à Unidade Básica de Saúde Padre Rafael de Paulo Lopes.

Segundo informações divulgadas pela administração municipal, os pacientes atendidos eram pessoas acamadas e integrantes de grupos considerados prioritários, em sua maioria idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. A aplicação incorreta teria ocorrido após uma suposta troca de frascos pela equipe responsável pela imunização.

Nas redes sociais, a parlamentar classificou o episódio como grave e criticou a condução do caso. Para ela, não se trata apenas de um “erro técnico”, mas de uma situação que compromete a segurança dos pacientes e a confiança da população nos serviços públicos de saúde. Lohanna informou que já protocolou pedido de informações na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e busca mobilizar o Ministério Público, o Ministério da Saúde e outros órgãos competentes para acompanhar a investigação.

De acordo com a Prefeitura de Bambuí, a substância aplicada foi água destilada estéril, utilizada rotineiramente na área da saúde para diluição de medicamentos e vacinas. O município afirmou que o líquido não apresenta risco toxicológico imediato aos pacientes. Apesar disso, os atingidos deixaram de receber a dose do imunizante contra a influenza, permanecendo sem proteção contra uma doença que pode evoluir para quadros graves, especialmente em pessoas vulneráveis.

Após a descoberta do erro, a prefeitura informou ter desligado das funções as profissionais envolvidas na ação — duas técnicas de enfermagem e uma responsável técnica — além de iniciar medidas administrativas internas para reforçar os protocolos de armazenamento, conferência e aplicação de vacinas.

O caso, porém, levantou questionamentos sobre possíveis falhas estruturais na fiscalização e supervisão dos serviços de imunização prestados pelo município. Na representação apresentada aos órgãos de controle, a deputada aponta que o episódio pode indicar deficiência em treinamento, controle interno e acompanhamento das equipes de saúde, ultrapassando a hipótese de uma falha individual. 

O documento cita ainda dispositivos da Constituição Federal e da lei que regulamenta o Sistema Único de Saúde (SUS), destacando que o poder público tem obrigação de garantir segurança, eficiência e redução de riscos nas ações de saúde. Também há referência aos protocolos do Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsáveis por estabelecer normas de armazenamento, identificação e aplicação correta das vacinas.

Entre os pedidos encaminhados estão a abertura de investigação formal, solicitação de documentos à Prefeitura de Bambuí e à Secretaria Municipal de Saúde, apuração de responsabilidades administrativas e civis, fiscalização dos procedimentos adotados pelo município e acompanhamento da revacinação dos pacientes afetados.

A parlamentar também defende que sejam avaliadas as condições de contratação e fiscalização da empresa terceirizada responsável pelos profissionais envolvidos na vacinação, além da adoção de medidas preventivas para evitar novas ocorrências.