Em meio à repercussão da denúncia envolvendo atendimento à esposa no Hospital “Manoel Gonçalves”, o vereador Tidinho utilizou seu tempo de expediente na Câmara para rebater as críticas e direcionar ataques à imprensa local. O episódio, que ganhou espaço nos veículos de comunicação da cidade, levantou questionamentos sobre uma possível tentativa de privilégio no atendimento da unidade pública de saúde.
Segundo apurado, o vereador procurou atendimento para a esposa na segunda-feira, 16, após ela relatar dores. Durante o episódio, houve reclamação de que outra pessoa teria sido atendida antes dela. O caso passou a ser discutido publicamente sob a suspeita de tentativa de “fura-fila” no Sistema Único de Saúde (SUS), o que gerou forte repercussão.
De acordo com informações preliminares, o hospital segue o Protocolo de Manchester, sistema adotado nas unidades de urgência e emergência para classificar pacientes conforme a gravidade do quadro clínico — e não pela ordem de chegada ou posição social.
A triagem estabelece a prioridade de atendimento por meio de cores, conforme a gravidade do quadro clínico apresentado pelo paciente. Os casos classificados como vermelhos são considerados de emergência e exigem atendimento imediato. Em seguida estão os identificados com a cor laranja, definidos como muito urgentes. Os pacientes com pulseira amarela são enquadrados como urgentes, enquanto os que recebem a cor verde são avaliados como pouco urgentes. Já a cor azul é destinada aos casos não urgentes, que podem aguardar atendimento sem risco imediato à saúde.
Na prática, um paciente classificado como amarelo, por exemplo, deve ser atendido antes de alguém com pulseira verde, independentemente de quem chegou primeiro. O descumprimento desse protocolo pode resultar em responsabilização profissional e institucional. As primeiras informações indicam que a situação registrada no hospital teria seguido exatamente esse critério técnico.
Vereador agradece equipe e critica divulgação
Durante sua fala no plenário, Tidinho afirmou que seu “bloco de Carnaval foi diferente”, relatando que esteve no hospital nos dias 16 e 17 acompanhando a esposa. Ele fez agradecimentos públicos aos recepcionistas, técnicos de enfermagem, médicos, enfermeiros, maqueiros e equipe de limpeza, destacando o funcionamento do plantão.
No entanto, o parlamentar também direcionou críticas à divulgação do caso, afirmando que “diferente dos que pegam dados pessoais de vereadores e mandam para órgãos de comunicação, a imprensa deveria se preocupar com a estrutura da unidade hospitalar”.
Tidinho declarou ainda que o hospital atende “pobres e ricos, negros e brancos e todas as classes sociais”. Também lembrou apresentado a demanda do Hospital por um gerador de energia, no valor aproximado de R$ 500 mil, ao deputado federal Lafayette Andrada, uma vez que a instituição paga aluguel de um gerador e necessita de outro equipamento.
Críticas não respondem ao ponto central
Apesar do discurso, o pronunciamento evitou esclarecer objetivamente se houve contestação ao critério técnico de classificação ou tentativa de furar a fila do SUS. A principal questão levantada pela denúncia não foi a ida ao hospital — direito de qualquer cidadão — mas sim a insatisfação manifestada diante do cumprimento de um protocolo que prioriza casos mais graves.
Vale lembrar que o Hospital Manoel Gonçalves, como entidade filantrópica, que recebe recursos públicos para gerir o Pronto Socorro Municipal, está submetido a regras claras de atendimento justamente para garantir isonomia. O Protocolo de Manchester não distingue cargo público, condição financeira ou influência política — apenas risco clínico.
Ao transferir o foco para críticas à imprensa e para a pauta estrutural do hospital, o vereador ampliou o debate, mas deixou sem resposta direta o questionamento que motivou a repercussão: se, naquele momento, houve ou não tentativa de flexibilizar uma regra que deveria valer igualmente para todos os cidadãos.







