Prefeitura diz que audita contratos de medicamentos desde março após vereador apontar diferenças de preços de até 1800%
Vereador leva caso à Polícia Federal, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas e Ministério Público
Após repercussão da denúncia do vereador Rosse Andrade sobre suposto superfaturamento na aquisição de medicamentos pela Prefeitura de Itaúna, o Executivo municipal veio a público posicionar-se sobre o tema. Em nota encaminhada à redação do Jornal S´Passo, a administração afirma que desde março audita os contratos para aquisição de medicamentos pelo Município.
A manifestação ocorreu praticamente uma semana depois de o parlamentar questionar, por meio de publicações em suas redes sociais e durante a reunião ordinária do Legislativo, os valores das compras. Para embasar suas falas, Rosse apresentou levantamento que mostra diferença de até 1800%, na comparação com preços praticados no mercado.
Entre os itens citados estão remédios como Vonal, Omeprazol, Dipirona e Amoxicilina. Na lista analisada pelo vereador, a diferença chegaria a quase R$ 543 mil pagos a mais. O contrato para a aquisição dos insumos foi firmado em abril de 2025, ou seja, na atual gestão.
Auditoria dos “últimos anos”
Na nota enviada à reportagem, a Prefeitura disse que a auditoria em andamento abrange contratos de aquisição de medicamentos realizados “nos últimos anos” e foi iniciada de forma preventiva, por determinação do prefeito Gustavo Mitre. O Executivo afirmou que “a medida demonstra compromisso com a legalidade, transparência, eficiência administrativa e correta aplicação dos recursos públicos”.
Ainda de acordo com o texto oficial, “caso sejam identificados indícios de superfaturamento ou outras desconformidades, serão instaurados processos administrativos para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos”. A administração também falou que eventuais conclusões serão encaminhadas aos órgãos de controle competentes.
Expectativa de investigação federal
O vereador Rosse Andrade informou à reportagem que protocolou a denúncia junto à Polícia Federal, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas e Ministério Público. Segundo o parlamentar, a aquisição dos medicamentos foi feita com parte dos recursos de emenda destinada a Itaúna pelo deputado Maurício Souza, conhecido como “Maurício do Vôlei”, que ocupa cadeira na Câmara.
“Como trata-se de recursos federais, levei o caso a esses órgãos e agora temos que aguardar o prazo para as investigações. Eles vão auditar”, comentou Rosse.
Para viabilizar a compra, a Prefeitura aderiu a uma ata de registro de preços gerenciada pela Prefeitura de Caraí. O município fica no Vale do Jequitinhonha, na região norte de Minas Gerais.







