Início Cidade Educação diz que “serão consideradas particularidades locais” para restringir uso de celulares nas escolas”

Educação diz que “serão consideradas particularidades locais” para restringir uso de celulares nas escolas”

Lei sancionada nesta segunda-feira, 13, busca equilibrar o uso de tecnologias digitais dentro das escolas do país

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O projeto de lei que regulamenta a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis, incluindo celulares, por estudantes nos estabelecimentos de ensino público e privado da educação básica foi sancionado nesta segunda-feira, 13. A nova lei veda o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante aulas, recreios e intervalos em todas as etapas da educação básica. A vedação não se aplica ao uso pedagógico desses dispositivos. As exceções são permitidas apenas para casos de necessidade, perigo ou força maior. A legislação também assegura o uso desses dispositivos para fins de acessibilidade, inclusão, condições de saúde ou garantia de direitos fundamentais.   

O Jornal S’Passo entrevistou a secretária de Educação do Município, Regina Célia Duarte Amaral Andrade, que atua há 30 anos na área, sendo 18 anos trabalhando diretamente como gestora escolar. 

Regina afirma que está analisando a questão com base nos princípios pedagógicos, no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas evidências sobre o impacto do uso de dispositivos móveis no ambiente escolar.  

“O que sabemos é que a medida visa proteger a saúde física e psíquica de nossos estudantes e a preocupação é que o uso indiscriminado do aparelho celular possa prejudicar não só o aprendizado, mas as interações entre os estudantes que são de extrema importância nesta fase de desenvolvimento”. 

A Secretária explica que o objetivo da lei não é proibir o uso de celulares, mas proteger as crianças e adolescentes por meio da restrição a esses aparelhos.  “Primeiramente, isso exige um planejamento consciente e direcionado do professor para que a tecnologia atenda a objetivos educacionais específicos. Em seguida, a tecnologia deve ser utilizada como meio, e não como fim, servindo para potencializar a aprendizagem e não como distração ou elemento isolado”. O que muda é a necessidade de promover uma reflexão crítica sobre o uso das tecnologias, ajudando estudantes e professores a compreenderem seu papel e impacto no processo educativo”, opina. 

Cumprimento da Lei

Segundo Regina Célia o Conselho Nacional de Educação (CNE) apresentará uma resolução que orientará as redes como fazer esse processo. “O que sabemos de imediato é que estados e municípios, em parceria com as comunidades escolares, serão responsáveis por definir os formatos mais adequados para a implementação da lei, considerando as particularidades locais. O Ministério da Educação (MEC) garantirá o apoio técnico às redes de ensino para que a adaptação às novas normas seja tranquila e eficiente”. 

Diretoras entendem que medida é positiva 

Para a diretora escolar Tânia Cristina da Silva, da Escola Artur Contagem Vilaça, o celular é uma ferramenta essencial na educação e em vários setores da vida moderna, proporcionando praticidade e rapidez, pois, com alguns cliques, é possível realizar diversas tarefas e se manter informado globalmente. 

“Porém, especialistas alertam sobre os perigos do uso desenfreado dessa tecnologia por crianças e adolescentes. Sem o devido controle, o celular pode causar alterações no comportamento, como agitação, nervosismo e desatenção, além de expor os jovens a influências negativas e até a manipulação e assédio online”. 

Tânia que também é mãe e educadora, alega que a medida ajuda a proteger a saúde mental dos estudantes, promovendo maior foco nas aulas e melhores interações sociais. Ela acredita que essa mudança será benéfica tanto para a educação, quanto para a sociedade, pois, “embora o mundo precise de inovação tecnológica, ele também precisa de pessoas que saibam pensar, respeitar os outros e promover a paz”. 

Para a diretora Virgínia Lúcia Moreira Fonseca Meireles, da Escola Professora Celuta das Neves, a recente alteração na legislação promete trazer mudanças significativas para o setor da educação. Entre os impactos esperados, destaca-se o aumento da concentração dos alunos, já que a ausência dos celulares em sala de aula pode reduzir distrações, facilitando o aprendizado e o trabalho dos professores. 

“Além disso, a medida reforça a disciplina ao estabelecer limites claros para o uso da tecnologia no ambiente escolar, promovendo um espaço mais controlado e focado no ensino. No entanto, a implementação dessa proibição apresenta desafios, como a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa, que deve contar com o apoio de professores, coordenadores e até mesmo das famílias”, enfatiza. 

Outro ponto relevante apontado pela gestora escolar é a possível redução de casos de bullying e exposição digital, uma vez que o acesso limitado às redes sociais durante o período escolar pode diminuir a ocorrência de cyberbullying e outros problemas relacionados. 

“A ausência dos celulares pode incentivar a inovação em ferramentas educacionais, com uma maior demanda por soluções tecnológicas integradas, como lousas digitais e softwares específicos para o ensino. Essa transição pode abrir novas possibilidades para modernizar o ensino sem a dependência direta dos aparelhos.”