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Infestação de ratos e grande acúmulo de lixo na Coopert leva à intervenção para destinação de resíduos ao aterro sanitário 

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Denúncias apontam para uma possível morte de cooperado por leptospirose, mas SAAE garante que exames descartaram contaminação

A rotina de trabalho dos catadores da Coopert tem sido marcada por desafios que vão além da coleta seletiva. Informações apuradas pela reportagem indicam um cenário de dificuldades operacionais, acúmulo de resíduos e preocupações sanitárias no espaço onde os cooperados tiram o sustento diariamente. 

Relatos apontam um possível colapso na capacidade de triagem do lixo seco, agravado pela ausência de equipamentos adequados, além da presença de ratos e até a suspeita de morte de um trabalhador por leptospirose.  

As dificuldades enfrentadas são em decorrência de um incêndio que devastou os galpões da Cooperativa de Reciclagem e Trabalho há um ano e cinco meses. As chamas consumiram cerca de 20 hectares, destruíram estruturas inteiras e transformaram equipamentos essenciais em ferro retorcido. Desde então, o que restou foi um cenário de resistência — e de dificuldades que ainda persistem sem solução definitiva. 

Hoje, a realidade dos cooperados é marcada pela improvisação. Sem galpões adequados e sem maquinário, a triagem dos recicláveis acontece a céu aberto, sob sol forte, chuva, poeira e uma verdadeira infestação de ratazanas. É nesse ambiente que dezenas de trabalhadores seguem tentando garantir o sustento de suas famílias e manter um serviço ambiental essencial para o município. 

A reportagem procurou o Serviço Autônomo de Água e Esgoto, que esclareceu a situação e detalhou as ações adotadas. O órgão confirmou que a atual realidade da cooperativa é um reflexo do incêndio e que “ainda assim, a Coopert tem se mantido fiel no trabalho de coleta e triagem de recicláveis, sustentando cerca de 70 cooperados.” 

Com a perda dos maquinários no incêndio, o trabalho passou a ser feito de forma manual, o que compromete a capacidade de processamento dos resíduos. Outro fator que agrava a situação, conforme o SAAE, é a forma como o lixo tem sido descartado pela população. “Nota-se que a população está deixando a desejar na qualidade da separação domiciliar, chegando à COOPERT muito lixo molhado misturado com o lixo seco.” O SAAE reforça que materiais recicláveis deveriam ser encaminhados limpos e secos, evitando a contaminação que inviabiliza o reaproveitamento. 

Leptospirose descartada

A reportagem recebeu informações de que um dos cooperados teria possivelmente vindo à óbito recentemente por leptospirose, devido ao grande acúmulo de lixo e infestação de ratos no pátio utilizado para a separação dos resíduos. Sobre a morte do trabalhador, o SAAE confirmou o falecimento, mas afastou a hipótese inicial de leptospirose. “Infelizmente, a COOPERT teve sim a lamentável perda de um colaborador, cuja suspeita da causa da morte inicialmente seria leptospirose, o que foi definitivamente descartado por exame laboratorial.” 

Limpeza do local

Diante do cenário de acúmulo de resíduos, uma força-tarefa foi realizada para melhorar as condições no local. O SAAE informou que participou de uma ação conjunta com a Prefeitura e a iniciativa privada. “A COOPERT realizou uma higienização completa de seu pátio e para isso contou com a ajuda de vários parceiros incluindo SAAE, Prefeitura e IR Novatec.” 

Durante esse processo, parte do material considerado rejeito foi encaminhada ao aterro sanitário. A medida levantou questionamentos sobre possível impacto na vida útil do espaço, o que foi minimizado pelo órgão. “O quantitativo aterrado seria equivalente a uma semana de aterragem normal, ou seja, não impacta na vida útil do aterro.” 

Aprovação de utilidade pública 

O incêndio deixou um prejuízo estrutural profundo. Esteiras, prensas e todo o sistema de processamento foram perdidos. Um levantamento aponta que seriam necessários cerca de R$ 8 milhões para reconstruir a estrutura completa, incluindo galpões, equipamentos e as redes elétrica e hidráulica. 

Para socorrer incialmente à Cooperativa, a Câmara aprovou recentemente um projeto de lei que declara de utilidade pública a Ascaruna – Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Itaúna, entidade que atua há quase duas décadas na defesa dos trabalhadores da reciclagem no município.  a Ascaruna atua como braço institucional da Coopert e tem papel estratégico na organização e representação dos catadores.  

Com o novo status jurídico, a expectativa é que a associação pudesse firmar convênios, captar recursos e contribuir de forma mais efetiva para a reconstrução da estrutura e fortalecimento da atividade no município.  No entanto, nenhum convênio foi firmado, emenda impositiva destinada pela Câmara ou recurso empenhado para resolver o problema que se tornou crônico no município.