Início Cidade Para mostrar serviço, vereadores insistem em propor projetos inconstitucionais

Para mostrar serviço, vereadores insistem em propor projetos inconstitucionais

Exigência de que serviço funerário seja prestado por, no mínimo, três concessionárias e leitura da Bíblia nas escolas, ferem a Constituição

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A Câmara voltou a ser palco de polêmicas jurídicas nesta semana, após a leitura de dois ofícios que apontaram ilegalidades em projetos de lei propostos por vereadores. Os pareceres derrubaram as propostas com base em vício de iniciativa e inconstitucionalidade. Ambos os projetos são de autoria dos vereadores Kaio Honório (PMN) e Gustavo Barbosa (Republicanos), e refletem um padrão recorrente de iniciativas que esbarram em limites constitucionais. 

O primeiro caso diz respeito a um projeto de 2021, aprovado por unanimidade, que altera a Lei Municipal Nº 1.143/1974 e prevê que o serviço funerário no município seja prestado por, no mínimo, três concessionárias, com base nos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência. Apesar do apoio quase unânime, a Procuradoria da Câmara entendeu que o projeto fere o princípio da separação de poderes, configurando vício de iniciativa, já que cabe exclusivamente ao Executivo legislar sobre a organização e a prestação de serviços públicos. 

Vereadores da base aliada ao prefeito Neider Moreira (PSD) à época alertaram que o projeto seria vetado por inconstitucionalidade. Ainda assim, os autores comemoraram a aprovação e alegaram que havia jurisprudência favorável à iniciativa. 

Já o segundo projeto, mais recente, propõe a incorporação da leitura da Bíblia como ferramenta paradidática nas escolas públicas e privadas do município.   A iniciativa é assinada por Gustavo Barbosa, Giordane Alberto e Tidinho, e defende que a Bíblia contribui para o ensino cultural, histórico, geográfico e arqueológico. A proposta afirma que a participação dos alunos seria facultativa, respeitando a liberdade de crença. 

Este foi mais um projeto barrado pela Procuradoria da Câmara e também pela Comissão de Constituição e Justiça, com base em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que já declarou inconstitucionais leis semelhantes, por violarem os princípios da laicidade do Estado e da liberdade religiosa.

Apesar do parecer negativo da Comissão de Constituição e Justiça, o vereador Kaio Honório já anunciou que irá recorrer para que o projeto volte a tramitar. “Esperamos que a proposta seja votada o mais rápido possível”, afirmou. 

Os episódios desta semana reacendem o debate sobre os limites legais da atuação dos vereadores e levantam questionamentos sobre a responsabilidade do Legislativo municipal em respeitar a Constituição.