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“Quem se preocupa com direito trabalhista é ruim de serviço”, acusa Guilherme Rocha

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Vereador usa Instagram para defender fim de benefícios para trabalhadores e pagamento exclusivamente por hora, conforme modelo adotado nos Estados Unidos

 “O cara que está preocupado com isso é um zé ninguém, que vende o almoço para comprar a janta, de tão merda que esse cara tá. Porque não tem lógica, que direito trabalhista que ocês têm? Vão trabalhar, sô, vão trabalhar (sic)” (Guilherme Rocha, comerciante e vereador)

Conhecido pelas atitudes e posicionamentos polêmicos, o comerciante do ramo de equipamentos eletrônicos, Guilherme Rocha, o “Gui”, que exerce mandato na Câmara Municipal desde janeiro de 2025, voltou a chamar a atenção esta semana na internet. O vereador, que detém certa influência entre a população de Itaúna e região nas redes sociais, usou o Instagram para defender o fim da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e atacar as pessoas que defendem a manutenção dos direitos dos trabalhadores.

Guilherme Rocha afirmou que quem se preocupa com direitos trabalhistas são, em geral, pessoas “ruins de serviço, que não gostam de trabalhar, faltam, produzem pouco e têm medo de ser demitidas”. “O cara que está preocupado com isso é um zé ninguém, que vende o almoço para comprar a janta, de tão merda que esse cara tá. Porque não tem lógica, que direito trabalhista que ocês têm? Vão trabalhar, sô, vão trabalhar (sic)”, disparou.  

Guilherme Rocha contrapôs esse perfil ao das pessoas que emprega em sua loja de celulares consideradas por ele mais produtivas. “Os meus melhores funcionários, eles não estão nem preocupados com CLT não”, afirmou.

As declarações foram feitas em meio às discussões sobre o projeto que prevê o fim da escala 6×1 e à preocupação sobre as relações entre empregadores e empregados, potencializada pelo resultado do primeiro turno das eleições, no domingo, 4.

Sem 13º e recebendo por hora

Também por meio de vídeo no Instagram, Guilherme Rocha defendeu o sistema no qual o funcionário possa trabalhar pelo tempo que quiser, recebendo exclusivamente pelas horas trabalhadas.

“Aí o que que os políticos de esquerda estão preocupados? ‘Ah, vamos acabar com a 6 por 1’. Não tem que acabar com 6 por 1 não, tem que colocar é liberar o funcionário trabalhar o tempo que ele quiser, receber por hora, sem direito a nada”, afirmou.

Na sequência, falou expressamente a respeito do 13º Salário. “Sem direito a décimo terceiro, sem nada. Trabalhou, ganhou; não trabalhou, não ganhou. Simples”, disse. O vereador também afirmou que o trabalhador poderia deixar de trabalhar por uma semana, desde que não recebesse pelo período. Como referência para esse modelo, citou os Estados Unidos.

Guilherme também criticou o que considera excesso de proteção ao trabalhador e afirmou que o sistema brasileiro seria desfavorável aos empresários. “Tudo aqui, tudo é contra o empresário”, disse. Segundo ele, esse cenário contribui para que empresas sejam fechadas. Na mesma fala, o comerciante afirmou que pessoas que tentam empreender acabam, ao longo do caminho, tornando-se “criminosos” e “sonegadores fiscais”.

“Me esquece em 2028 que eu vou é para a Tailândia gastar o dinheiro que ocês me deram eu sendo vereador: dez mil limpinhos por mês em quatro anos (sic)” (Guilherme Rocha, comerciante e vereador)

Ao mesmo tempo em que defendia, o fim dos direitos dos trabalhadores, ao responder pergunta de um seguidor em um dos stories, Guilherme Rocha aproveitou para ostentar a remuneração que garante com o cargo eletivo, que é de mais de R$ 13 mil brutos mensais, sem exigência de cumprimento de carga horária e produção, com direito a 13º Salário, assessores e estrutura na sede do Legislativo, onde ele não costuma dar muito expediente. 

“Me esquece que em 2028 eu vou é para a Tailândia, realizar o sonho da minha esposa, eu vou é beber um vinho lá em Portugal, eu vou é gastar o dinheiro que ocês me deram eu sendo vereador: dez mil limpinhos por mês, em quatro anos. É isso que vou fazer. E bora comprar Iphone que eu tô precisando de dinheiro para gastar mais ainda viajando (sic)”, avisou.