Venda silenciosa de seminário de Itaúna e mudanças expõem crise e falta de diálogo na Diocese de Divinópolis 

0
2109

A decisão de vender o imóvel do seminário “São José” localizado em Itaúna, na Avenida Juscelino Kubitschek, 65, atrás do Tropical, sem anúncio prévio, justificativa pública ou qualquer processo de escuta da comunidade, acendeu um sinal de alerta entre fiéis e lideranças católicas da região. A medida, atribuída à condução do bispo Dom Geovane Luís da Silva, é vista por muitos como um gesto unilateral que rompe com práticas tradicionais de transparência e participação na Igreja. 

De acordo com dados da página oficial da Diocese de Divinópolis, o Seminário São José é uma instituição da Igreja Particular de Divinópolis destinada à formação dos candidatos ao presbiterato. Até então, o seminário era dividido em duas casas, uma em Itaúna, que acolhe os vocacionados da etapa do Propedêutico. E outra, com sede em Belo Horizonte, que acolhe os seminaristas que realizam seus estudos em Filosofia e Teologia. 

O Seminário tem como finalidade principal acompanhar, discernir e preparar aqueles que, sentindo-se chamados por Deus, desejam colocar sua vida a serviço da Igreja como presbíteros. Ele não é apenas um espaço de estudos, nem somente um lugar de oração. Trata-se de um ambiente formativo integral, no qual o seminarista é ajudado a crescer de modo humano, espiritual, intelectual e pastoral, em comunhão com a Igreja e sob a orientação da Diocese. 

Segundo relatos recebidos pelo Jornal S’Passo, a venda ocorreu sem comunicação oficial à comunidade local. O impacto imediato recai sobre os próprios estudantes do seminário — cerca de 10 em formação — que, conforme as informações, deverão ser transferidos para uma estrutura provisória e alugada em Pará de Minas. A promessa seria a construção de um novo seminário em Divinópolis, mas até o momento não há detalhes sobre prazos, local ou viabilidade do projeto. 

A ausência de informações concretas tem alimentado incertezas e insatisfação. Para muitos católicos, o seminário não é apenas um espaço físico, mas um símbolo da presença ativa da Igreja na formação religiosa e na vida comunitária. Sua retirada repentina levanta dúvidas sobre o futuro das vocações locais e o enfraquecimento da estrutura pastoral em Itaúna. 

O Jornal S’Passo encaminhou questionamentos sobre a notícia à Pastoral da Comunicação da Diocese de Divinópolis, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno oficial. 

Entre os pontos indagados pela reportagem estão questões que seguem sem respostas: quais foram as reais motivações da venda do imóvel; se a decisão fazia parte de um planejamento estratégico ou foi tomada em caráter emergencial; quantos seminaristas estavam vinculados à unidade; para onde exatamente serão transferidos; qual foi o valor obtido com a negociação e como esses recursos serão aplicados; e, principalmente, se Itaúna ficará definitivamente sem um seminário. 

Mais insatisfação

Outro fator que tem gerado desconforto entre os fiéis diz respeito às recentes transferências de párocos realizadas em um curto intervalo de tempo. As mudanças simultâneas em diversas paróquias têm sido alvo de críticas, especialmente pela falta de explicações claras sobre os critérios adotados e os objetivos pastorais por trás das decisões. 

A condução dessas medidas, sem diálogo aberto com a comunidade, tem sido interpretada como um distanciamento da própria base da Igreja. Fiéis relatam sentimento de surpresa, insegurança e até desvalorização, diante de decisões que impactam diretamente a vida religiosa local. 

A ausência de posicionamento oficial da Diocese apenas amplia o cenário de desconfiança. Em um momento em que a Igreja Católica enfrenta desafios de engajamento e credibilidade, atitudes percebidas como pouco transparentes tendem a aprofundar o desgaste institucional. Enquanto isso, a comunidade de Itaúna segue sem respostas — e, sobretudo, sem o espaço que por anos foi referência na formação de futuros sacerdotes. O espaço continua aberto para as declarações do Bispo e ou da Diocese de Divinópolis.