Técnica não usa veneno e nem produto químico, não contamina solo, água ou animais. É uma alternativa mais segura tanto para quem opera quanto para a população
Olho: “Visualmente, no primeiro momento, o mato pode até parecer que só ‘deitou’. Mas o efeito da capina elétrica não é imediato como o corte. Ela age internamente. A planta começa a secar de dentro para fora, e isso leva alguns dias”, disse.
A Prefeitura de Itaúna começou a utilização da chamada capina elétrica como alternativa para o controle de vegetação no município. A tecnologia, ainda pouco conhecida por parte da população, tem gerado dúvidas nas redes sociais por pelos cidadãos e alguns vereadores — especialmente quanto à sua eficácia imediata.
Na última semana, o vereador Da Lua (PSDB), afirmou em reunião da Câmara que “a Prefeitura poderia cancelar o contrato com a empresa de capina elétrica e que o modelo não funciona e não atende Itaúna”. Já nesta semana, o vereador Israel Lúcio (União Brasil), disse durante a reunião que nos últimos dias houve a estreia da capina elétrica no bairro João Paulo II, e que a máquina não teria atendido seu propósito.
“Nós já tivemos uma conversa entre os vereadores a respeito dessa máquina, e em alguns lugares que estão com capim muito alto, o equipamento passa, deita o capim, dá uma torrada nele, mas as vezes a eletricidade não chega na raiz, não atendendo à proposta inicial. Entendemos que está em fase de testes e que em breve todos os bairros serão atendidos e serão limpos”, criticou.
Para sanar as críticas— muitas por desconhecimento do procedimento — a reportagem fez uma entrevista com o diretor de operações da empresa Jardins Serviços de Revitalização Ltda, que realiza a prestação de serviço na cidade. Caio Glaucus de Azevedo, explicou que o método difere completamente da capina tradicional.
“A capina elétrica não é uma roçadeira comum. Ela usa uma tecnologia que aplica uma descarga elétrica controlada na planta. Essa energia percorre o mato até a raiz, desidratando a planta por dentro”, afirmou.
De acordo com ele, o princípio da técnica está baseado na eletrocussão da planta, um processo físico em que a energia elétrica é conduzida por meio de eletrodos em contato direto com a vegetação, atingindo tanto a parte aérea quanto o sistema radicular. Estudos técnicos apontam que essa descarga pode causar desde o aquecimento interno até a dissociação molecular das células vegetais, levando à morte da planta.
Diferentemente da roçada convencional, que remove apenas a parte visível do mato, o objetivo da capina elétrica é enfraquecer a planta desde a raiz. “Ou seja: diferente do corte tradicional, que só tira a parte de cima, aqui a ideia é reduzir o crescimento ao longo do tempo”, completou o diretor.
Ainda segundo Caio, o serviço pode atuar tanto como substituição quanto como complemento à capina manual, dependendo do planejamento adotado pelo município. “Existem dois protocolos principais: o ‘Ciclo Total’, em que a tecnologia assume praticamente toda a operação, e o programa ‘Dura Mais’, voltado à manutenção prolongada após uma limpeza inicial mais pesada”, explica.
Em Itaúna, o serviço segue um cronograma técnico que prioriza áreas de maior circulação, regiões críticas e locais com histórico de crescimento acelerado da vegetação. A proposta é realizar ciclos contínuos de manutenção urbana.
Segurança e impacto ambiental
Um dos pontos destacados pelo especialista é a ausência de produtos químicos no processo. “Não usa veneno, não usa produto químico, não contamina solo, água ou animais. É uma alternativa mais segura tanto para quem opera quanto para a população”, explicou.
Relatórios técnicos reforçam essa característica, indicando que a capina elétrica é considerada uma tecnologia limpa, justamente por não gerar resíduos químicos nem riscos de contaminação ambiental, ao contrário dos herbicidas convencionais.
A tecnologia apresenta melhor desempenho em áreas urbanas como calçadas, meios-fios e praças, especialmente em vegetação de porte leve a médio. “Em casos de mato alto ou mais denso, pode ser necessário um trabalho combinado com outros métodos. Apesar das vantagens, o efeito da capina elétrica não é imediato — fator que tem gerado questionamentos por parte da população”, confirma.
Resposta às críticas
Moradores e alguns vereadores têm afirmado nas redes sociais que o equipamento “não funciona” e apenas “deita o mato”. Sobre isso, Caio Glaucus esclareceu que há uma diferença importante na forma de ação do método. “Visualmente, no primeiro momento, o mato pode até parecer que só ‘deitou’. Mas o efeito da capina elétrica não é imediato como o corte. Ela age internamente. A planta começa a secar de dentro pra fora, e isso leva alguns dias”, disse.
Segundo ele, o resultado pode ser percebido entre alguns dias e até duas semanas após a aplicação. “Não é cortar na hora, é enfraquecer a planta para ela morrer e demorar mais para voltar”, reforçou.
De acordo com o diretor, a tecnologia já é utilizada em outras cidades e países, com resultados práticos que incluem menor rebrote, maior durabilidade do serviço e redução da necessidade de manutenções frequentes.
Na prática, isso representa economia operacional ao longo do tempo e maior intervalo entre intervenções — um dos principais objetivos da adoção do método em Itaúna. A expectativa, segundo a empresa responsável, é que, com a continuidade dos ciclos de aplicação, a cidade apresente redução progressiva no crescimento do mato e melhoria na conservação dos espaços públicos.







