Ainda às escuras: Via Appia reprova projeto de iluminação do trevo

0
161

A decisão da concessionária Via Appia — antiga Nascentes das Gerais — de reprovar o projeto de instalação de iluminação no trevo de entrada de Itaúna provocou forte reação na Câmara. Vereadores articulam o envio de uma nota de repúdio coletiva à empresa, em um movimento que evidencia o desgaste entre o Legislativo e a concessionária responsável pelo trecho da Rodovia MG-050. 

O projeto, elaborado pela Prefeitura e custeado integralmente com recursos municipais, foi encaminhado tanto ao DER-MG quanto à concessionária. Enquanto o DER aprovou a proposta, a Via Appia barrou a execução, impedindo que o município resolvesse um problema histórico por conta própria. 

Na prática, a situação escancara um impasse que já se arrasta há anos: a concessionária não executa a iluminação e, ao mesmo tempo, impede que a prefeitura execute. Durante a reunião, o vereador Beto do Bandinho classificou a decisão como “um verdadeiro absurdo”. Segundo ele, a responsabilidade pela recomposição da iluminação seria da própria empresa. “A prefeitura está tentando corrigir um problema que se arrasta há anos, e mesmo assim é impedida”, criticou. 

Já o vereador Rosse Andrade elevou o tom e disparou contra a concessionária, afirmando que a empresa “é vagabunda” e que tenta “fazer os itaunenses de bobos”. A indignação foi acompanhada pelo presidente da Câmara, Antônio de Miranda, o conhecido Toinzinho, que apoiou a proposta de envio da nota de repúdio como forma de reação institucional. 

Retranca

Um problema que se arrasta há mais de uma década 

A origem do impasse remonta a 2012, quando 82 postes e uma linha de distribuição foram retirados do trevo principal de Itaúna pela Cemig, a pedido da então concessionária Nascentes das Gerais, para viabilizar a duplicação da rodovia. A obra foi concluída em 2014, mas, 11 anos depois, o local segue às escuras. 

Desde então, nenhuma das partes assumiu efetivamente o custo da reinstalação da iluminação. O resultado é um dos trechos mais perigosos da rodovia, justamente em um ponto de grande fluxo, que dá acesso à Universidade de Itaúna, à BR-262 e ao município de Pará de Minas. 

Além do risco para motoristas, a situação também afeta diretamente pedestres que utilizam pontos de ônibus no acostamento — um cenário crítico em termos de segurança. 

Relatos frequentes de acidentes reforçam o perigo: marcas de colisões são visíveis nas defensas metálicas e no muro de arrimo, especialmente no trecho após o bairro Silva Jardim. A falta de iluminação dificulta a visibilidade e contribui para erros de manobra de quem tenta acessar a MG-050. 

Desde 2019, a prefeitura tenta resolver o problema junto ao DER-MG e à concessionária, sem sucesso. À época, a empresa alegou que o contrato de concessão não prevê iluminação urbana e atribuiu a responsabilidade ao município, citando a Constituição Federal. Ainda assim, o município tentou assumir o custo — e, novamente, foi impedido. 

Outro ponto nebuloso envolve o destino dos postes retirados. Eles chegaram a ser armazenados pela prefeitura, mas desapareceram ao longo dos anos. Segundo relatos, teriam sido reaproveitados em praças da cidade, o que reforça a falta de transparência e planejamento na condução do problema. 

Inúmeros acidentes

As consequências da negligência são cada vez mais evidentes — e, em alguns casos, fatais. No ano passado foram registrados mais de 30 acidentes no trecho, um deles fatal. Neste ano já foram registrados quatro acidentes no trecho, em um deles, no último domingo (15), uma jovem de 22 anos morreu após ser atropelada no km 86 da MG-050, nas proximidades de um ponto de ônibus entre a Universidade de Itaúna e o acesso pela Silva Jardim. O acidente ocorreu por volta das 19h30, já em condições de baixa visibilidade. 

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, o motorista de um GM Meriva SS não conseguiu evitar o atropelamento ao se deparar com a pedestre atravessando a pista. O teste do bafômetro deu negativo, e a vítima morreu no local, antes da chegada do SAMU. 

O caso expõe, mais uma vez, o risco concreto enfrentado diariamente por quem circula pelo trecho — seja de carro, a pé ou aguardando transporte coletivo. Diante da nova negativa da Via Appia, a Câmara de Itaúna promete endurecer o tom. A nota de repúdio, em elaboração, deve ser assinada por todos os vereadores e enviada à concessionária como resposta política à decisão. 

Enquanto isso, o trevo segue no escuro — e a população, exposta a um problema antigo que, apesar das promessas e responsabilidades cruzadas, continua sem solução.